11° Domingo do Tempo Comum - Ano A - 18 de Junho de 2017

TEXTO BÍBLICO: Evangelho de São Mateus 9,17-10,8

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus compadeceu-se delas, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Diz então aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua messe». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes autoridade para expulsar os espíritos impuros e para curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, pregai que está próximo o reino dos Céus. Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios. Recebestes de graça, dai de graça». 

 Contexto 

Depois de ter apresentado Jesus (1,1-4,22) e O ter mostrado a anunciar o Reino em palavras e obras (4,23-9,35), Mateus introduz o “discurso da missão” (9,36-11,1), o segundo dos cinco discursos de Jesus no seu Evangelho. O texto de hoje recolhe a introdução (9,36-38), o chamamento dos Doze e o seu envio. 

 Algumas notas para melhor compreensão do texto 

O olhar de Jesus. Antes de entrar na Terra prometida, Moisés pediu a Deus que suscitasse um chefe como seu sucessor para nela guiar o seu povo, para que este não andasse como ovelhas sem pastor. Deus designou então Josué (Nm 27,16 ss). Mais tarde, porém, houve muitos chefes que não eram bons pastores, porque não cuidavam do rebanho, mas antes se serviam dele para os seus interesses pessoais, oprimindo-o e explorando-o. O povo, abandonado a si mesmo, sem ter ninguém que se interessasse por ele, andava “fatigado” e “abatido”, isto é, desnorteado, disperso e desanimado. Cumprindo a promessa de ser o próprio Deus a reunir e apascentar o seu povo através do novo David, Jesus apresenta-se como o bom pastor, o novo Josué, o Messias prometido.

A messe é grande e os trabalhadores são poucos. Jesus comove-se interiormente, num movimento visceral, incontido, ao mesmo tempo paterno e materno, repleto de compaixão, ternura e afeto. Ao afirmar que a seara é grande e já está madura, Jesus mostra que não há tempo a perder. Há muita gente à espera de receber a Palavra e acolher o Reino de Deus, mas ameaça perder-se, porque não há quem se disponha a evangelizar e a trabalhar no Reino, cooperando na sua difusão e edificação no meio dos homens. Ao mandar pedir ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua messe, Jesus alerta para a necessidade da oração. Primeiro, porque é preciso pedir trabalhadores, pois é só através dos seus discípulos que Jesus poderá chegar a todos ao longo dos tempos, a todos estendendo o seu múnus de bom pastor. Depois, porque a missão nasce da oração, sendo só assim que pode ser levada a cabo sob a direção, com o poder e segundo os critérios de Deus.

Começa então o “discurso da missão”, que se abre com o chamamento dos Doze a quem Jesus dá o nome de “apóstolos” (“enviados”). Não se indica o critério que preside à sua escolha, porque a iniciativa é de Deus, que chama quem quer. São doze, número que representa as doze tribos de Israel, isto é, o Povo de Deus. Os Doze são enviados como sinal da compaixão de Jesus e da sua presença junto das pessoas, para delas fazer nascer o novo povo de Deus, que eles representam. Jesus confere-lhes a sua própria autoridade divina sobre o pecado, a morte e o mal, representados pelos “espíritos impuros” (ligados aos cultos idolátricos: Zc 13,2) e por toda a espécie de doenças e enfermidades. A missão dos discípulos é seguir Jesus, formar comunidade.

Lista dos nomes dos doze apóstolos. Estas listas, apresentadas pelos vários evangelistas, apresentam diferenças, seja na ordem dos nomes, seja nos próprios nomes (cf. Mc 3,16; Lc 6,14- 16; At 1,13; Tadeu é, na lista de Lucas, Judas). Em qualquer caso, Pedro encabeça sempre a lista e Judas Iscariotes fecha-a. Grande parte destes nomes vem do Antigo Testamento. Dos doze apóstolos, sete têm nome que vêm do tempo dos patriarcas: dois chamam-se Tiago (ou seja, Jacob), dois têm o nome de Simão (ou Simeão), dois o de Judas (ou Judá) e um de Levi, todos eles filhos de Jacob. Só Filipe tem um nome grego. Os quatro primeiros são dois pares de irmãos. Isto revela o desejo de Jesus: recapitular a história do Povo de Deus desde o começo, instaurando o novo Povo de Deus, onde todos aprendam a ser irmãos e a viver como tal.

O envio ou missão dos doze apóstolos. Jesus começa por definir o âmbito da missão e indicar os seus destinatários: a princípio, não os pagãos, nem os samaritanos, mas apenas as “ovelhas perdidas  da casa de Israel”, isto é, as pessoas mais afastadas e destruídas do povo de Deus. Mais adiante, na conversa de Jesus com a cananéia acontecerá a abertura aos pagãos e após a sua ressurreição o envio dos discípulos a toda a terra. Mas, mesmo então, a Boa Nova será anunciada primeiro aos judeus e só depois aos pagãos.

Em seguida, Jesus enuncia o conteúdo do querigma: “O Reino dos céus está próximo”. É o anúncio da proximidade do Reino de Deus, isto é, do próprio Deus, que quer viver no homem e que o homem n’Ele viva. O Reino já está aí, tornado definitivamente presente na pessoa de Jesus. Esta é a grande novidade, a boa notícia. Para os judeus ainda faltava muito para o Reino de Deus chegar, o que aconteceria graças ao seu esforço. Para os fariseus, o Reino só chegaria quando a observância da Lei fosse perfeita, para os Essênios, quando o país fosse purificado. Jesus vê diversamente: aquilo que todos desejavam e esperavam já está presente no meio dos homens, dado gratuitamente por Deus.

Os sinais da presença do Reino. Como anunciar a presença do Reino? Não só por palavras e obras, mas também através dos sinais da presença de Deus no meio dos homens, gestos concretos que libertam e salvam do pecado, da morte e do mal, os mesmos sinais que Jesus faz e atestam que Ele é o Messias. São realizados não de forma geral, mas para bem das pessoas concretas a quem chega a Palavra. De fato, Jesus não diz “curem os doente, expulsem os demônios”, com o artigo no plural, mas sem o artigo: “curem doentes…, expulsem demônios”. Os “demônios” não são apenas o diabo e os anjos maus, mas também, na medicina de então, as forças que causavam as doenças do foro psiquiátrico ou de âmbito interno que modificam o comportamento e a ação humana sem explicação aparente. “Recebestes de graça, dai de graça”. Para levar o Evangelho é preciso ter sido por ele tocado e salvo. A missão não se destina a ganhar dinheiro, angariar fundos ou a satisfazer necessidades, desejos ou interesse pessoais, mas a acolher os necessitados que nada podem dar em troca. Trata-se, pois, de continuar a missão de Jesus, estendendo-a a toda a gente com o seu mesmo amor e poder, levando-O a todos com o dinamismo do Reino. 

Palavra para o caminho 

É nisto que consiste o trabalho para a messe, no campo de Deus, no campo da história humana: levar aos homens a luz da verdade, libertá-los da pobreza de verdade, que é a verdadeira tristeza e a verdadeira pobreza do homem. Levar-lhes o feliz anúncio que não é apenas uma palavra, mas um acontecimento: Deus, Ele mesmo, veio entre nós. Ele toma-nos pela mão, eleva-nos rumo a Si próprio, e assim o coração ferido é curado (Bento XVI).

Uma abundante seara e tão poucos trabalhadores! O desemprego não existe no campo missionário, são os trabalhadores que faltam! Porém, Jesus não se cansa de chamar!

Então?

E se este convite te disser pessoalmente respeito?

Que respondes? 

 

Fonte – Ordem do Carmo de Portugal - http://www.ordem-do-carmo.pt/index.php/lectio-divina/50-lectio-divina/1084-xi-domingo-do-tempo-comum-ano-a.html

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