O encontro de uma Feminista da Nova Era com o Papa João Paulo II em uma pizzaria.

 

 

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Durante uma década, perambulei por um deserto espiritual tentando encontrar Deus; busquei-o em todos os lugares, exceto no cristianismo. Busquei-o nas práticas ocultistas da Nova Era, no budismo, e em diversas religiões não cristãs organizadas no mundo.
 
Um dia, morando na BibleBet (extensa região dos EUA na qual o cristianismo evangélico tem um profundo arraigo social, N. da R.), recebei um “Chicktract” (breves frases evangélicas criadas pelo pregador norte-americano Jack T. Chick, fortemente anticatólicos, N. da R.), que insistia em que os católicos eram satânicos que adoravam algo que ele chamava de “bolacha morta”.
 
O “tract” era tão chocantemente desagradável, que me senti indignada pelos católicos. Em uma tentativa de refutar as selvagens acusações de Jack Chick, me surpreendi comigo mesma pesquisando sobre o catolicismo pela primeira vez. Foi assim que comecei a saber algo da Eucaristia, sobre o ensinamento de que o próprio Deus vem aos fiéis com um pedaço de pão; e então toda a minha visão de mundo mudou.
 
Este ensinamento era tão radical, tão bizarramente absurdo, que não podia ser verdade. Mas o pensamento continuava na minha cabeça: e se for verdade? E se o Deus que eu estava buscando estivesse justamente ali, esperando-me, paciente e humildemente, sob a aparência de pão?
 
Respondi tentando escapar, tapando os ouvidos, fechando os olhos e dizendo a Deus: “Não consigo te ver, não consigo te ouvir”. O que aconteceu depois foi a sua resposta.
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De repente, o mundo inteiro parecia não se interessar em outra coisa a não ser temas católicos. Em algum lugar da Flórida, uma mulher chamada Terri Schiavo estava morrendo. Falava-se disso no rádio o dia todo. Meu seguro mundo secular falava de morrer com dignidade, dos últimos pedidos e a autoridade dos familiares, que era tudo bom e estava bem. Mas havia todos esses bispos católicos que não queriam se calar sobre a santidade da vida humana, sobre como esta vida supostamente deveria ser considerada como tal da concepção até a morte, e de como o marido de Terri Schiavo estava defendendo um assassinato.
 
Eu queria que a Terri Schiavo fosse embora, porque ela tinha trazido o tema dos bispos à tona, E cada vez que eu ouvia um bispo falar, começava a pensar nas ideias católicas da sucessão apostólica e em suas afirmações sobre uma linha sem rupturas até São Pedro e os apóstolos, sua continuidade, unidade e plenitude da verdade, a Eucaristia… Sempre voltávamos à Eucaristia.
 
Então, tragicamente, Terri Schiavo se foi, assassinada pelas pessoas com as quais ela deveria ter podido contar, e eu, de maneira egoísta, pensei que poderíamos voltar à nossa vida cotidiana livres de bispos, como de costume. Mas estava equivocada, muito equivocada: alguns dias depois, o mundo se concentrou nos últimos dias do Papa João Paulo II. Pensei que o problema católico tinha sido ruim com o caso Schiavo, mas ele chegou a níveis intoleráveis durante os últimos dias do Papa.
 
Todos os dias, a igreja católica do meu bairro ficava com o estacionamento lotado. Enquanto eu manobrava com irritação entre os carros estacionados na rua, lançava olhares assassinos àquele edifício de teto cor turquesa: a igreja católica da Rainha da Paz. Com um teto assim, seu ridículo nome católico e toda essa gente dentro dele, unida na dor e na oração pelos últimos dias de certo homem velho em Roma, esse edifício acabou sendo o motivo do meu desespero.
 
O sábado, 2 de abril de 2005, amanheceu lindo e claro. Meu esposo, minha filha de dois anos e eu fomos fazer compras para o futuro bebê, que deveria chegar em algum momento dos próximos dois meses. Paramos para almoçar em uma pizzaria local, que tinha telões, um buffet de pizzas de todo tipo e um ambiente tão barulhento, que nossa pequena não precisaria ficar quieta para não incomodar os outros clientes.
 
Nós nos sentamos e, enquanto meu marido levava minha filha ao buffet, meus olhos se dirigiram a um telão brilhante, e então vi a notícia. A televisão estava sem som, então, a única forma de entender o sentido das imagens era ler as manchetes que apareciam na tela: o Papa João Paulo II, depois de uma dura luta pública contra o Parkinson, acabava de morrer. Eu li aquilo e, de repente, comecei a chorar. Ali, em meio a uma imensidade de pizzas, chorando. Por um homem que eu não conhecia, que era líder de uma igreja na qual eu não queria pensar. Mas eu continuava chorando.
 
Corri até o banheiro antes de que minha família pudesse voltar à mesa e me perguntar o que estava acontecendo. No banheiro, milagrosamente vazio, comecei a soluçar de tanto chorar. Sentia que o meu coração estava destruído pela perda. E não conseguia entender o que estava ocorrendo; pensei que poderiam ser os hormônios da gravidez ou uma espécie de crise nervosa. Apesar de eu não me considerar parte do clube anticatólico dos “Chicktract”, tampouco sentia amor pela Igreja. Uma das minhas frases favoritas, quando se falava de algo católico, era: “A Igreja vai cair pelo seu próprio peso inflado. Se tivermos sorte, veremos isso nesta geração”.
 
Esta era a mulher que viu a si mesma soluçando no banheiro de uma pizzaria pela morte do Papa. Mas, ao invés de ficar no meu possível colapso mental, recuperei a calma, lavei o rosto e voltei para a mesa, sentando-me de costas para a televisão.
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Um ano depois da morte de João Paulo II, meu marido e eu entramos na Igreja. Duas semanas depois, batizamos nossos filhos. E, ainda que a conversão radical de uma feminista da Nova Era a uma mãe católica de seus filhos não seja um dos milagres oficiais reconhecidos para a sua canonização, tenho certeza de que foram as orações e a intercessão do Beato (em breve, santo) João Paulo II que me ajudaram a voltar à Santa Mãe Igreja.
 
(Trecho do meu livro “Pope awesome and other stories: how I found God, had kids and lived to tell the tale“)

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