História dos Santos

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (Lisieux)

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Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (Lisieux)

Santa Teresa de Lisieux é universalmente conhecida como a Santa que ensinou ao mundo a "Pequena estrada da infância espiritual" e falou frequentemente da necessidade de "nos transformarmos em pequenos diante a Deus" e de ter encontrado "uma estrada reta, muito breve, uma pequena estrada toda nova" para ir ao céu.


Doutora da Igreja

Ansiosa que esta "pequena estrada" venha ensinada aos cristãos, Santa Teresa não teve medo de negar com decisão a fé dos sábios e dos inteligentes. A sua estrada para alcançar o céu é a estrada da simplicidade, a estrada dos dóceis e dos puros de coração. Os textos complicados, onde a fé parece reservada ao teólogos e aos poucos eleitos não a interessa. Teresa não se cansa de repetir que a Boa Novela é revelada aos pequenos e que a Palavra de Deus doa sabedoria aos simples.

Santa Teresa na sua humildade é a mãe e o modelo de todos os filhos de Deus. Esvaziada de tudo, recebe ela mesma em dom do Pai. Se sente um nada e em Deus se transforma em tudo. Se deixa fecundar da graça, deixa agir Deus em si, como uma menina nas mãos do papai.

O extremo gesto espiritual indicado por Teresa é o abandono, a única estrada que leva inevitavelmente aos braços de Deus. Teresa não tem outro desejo que esconder-se nos braços de Deus, para se deixar acariciar por Ele, para se deixar inundar pelo oceano da sua Misericórdia. O abandono é em definitivo o gesto de confiança mais definitivo e autentico, porque é a renúncia completa à própria  vontade e é a submissão total à vontade do Pai.

Santa Teresa cria confusão na igreja e no mundo como um "tufão de glória" (Pio XI). Já durante a sua vida teve uma incredível onda de milagres: (a célebre "chuva de rosas") que convenceu o povo cristão de que Deus dava crédito àquela "pequena santa" fazendo-a gloriosa e potente. Ao mesmo tempo teve também uma onda de conversões: homens que se sentiram literalmente guiados pela mão suave desta moça.

Ainda hoje o mundo inteiro a define como a moça mais amada da terra. Teresa a todos grita que Jesus quer nos perdoar, nos quer curar, nos quer inundar pelo seu Amor, porque Ele mesmo necessita de amor.

A Ele vamos com o peso dos nossos pecados. E Ele é contente de nos purificar. Ele não se suja nos abraçando, enquanto o seu abraço nos purifica: "Eis tudo aquilo que Jesus espera de nós: não precisa das nossa obras, mas somente do nosso amor. Tinha sede, mas dizendo: Dei-me de beber, o Criador do universo pedia amor à sua criatura. Tinha sede de amor".

Teresa de Lisieux nos coloca em contacto com a sua alma. Aguda contemplativa, rica de experiência e de sabedoria, nos indica o itinerário mais simples para alcançar o fim da vida: entrar na intimidade com Deus como um Pai misericordioso e tenro através de quem, persuadido pela própria fraqueza e das próprias misérias, vai a ele com ilimitada intimidade.

Transmite a sua mensagem com uma linguagem simples onde nao se pode rejeitar e nos grita que ser santos, não é o resultado de um esforço do homem, mas um dom de Deus.

Olhando Teresa nascerá em cada um de nós a saudade de nos transformarmos como aqueles pequenos aos quais Cristo da em herança o reino dos céus. Se compreenderá como a vida seja um bem que o ser humano recebe, sem nenhum mérito. Um dom e um meio para receber e dar amor e assim realizar a essência do ser humano: "Necessidade de amar e de ser amado".

Hoje a igreja inteira ama esta esplendida Santa, uma mulher, a mais jovem Doutora da sua história bimilenária. O ensinamento de Teresa nos pode e nos deve alcançar através da sua vida contada sob o aspecto de luz de uma relação de amor. Não se pode que sermos afascinados e surpresos em ver os prodígios de Deus na alma desta Santa, que teve a coragem de abandonar-se à sua Misericórdia. "Se o teu coração te acusa de pecado, Deus é maior do teu coração".

Quem faz da própria vida uma intercambio de amor, experimenta a liberdade e a felicidade, ao contrário, quem se deixa roubar a inteligência, o amor ou a fé, renuncia a viver e cai naquela solidão angustiante que experimentam também hoje tantos seres humanos. Situação que pode ser ainda superada procurando um encontro pessoal, uma experiência forte, um guia autêntico que nos introduza em uma vida digna de ser vivida por aquele Deus o qual a pequena Teresa nos fala com toda a sua vida, na procura contínua e intensa do Seu vulto.

Os passos deste itinerário serão revelados no percurso proposto aqui a seguir, que tenderá de revelar a abundante substância da espiritualidade desta grandíssima santa, para todos aqueles que desejam começar a inebriar-se da sua fragrância.

Teresa Martin nasceu em Aleçon (Orne), pequeno lugarejo da Normandia francesa, no dia 2 de janeiro de 1873 da uma família rica de profunda fé cristã, última de oito filhos, 3 destes morrerão pequenos, porque naquele tempo a mortalidade infantil não tinha sido vencida. Todavia apesar das tragédias na família Martin reina uma sólida fé que os consente de passar qualquer problema à presença de Deus.

Vida de uma Santa

O pai Louis Martin nascido no dia 22 de Agosto em Bordeaux, era relojoeiro, tinha aprendido o seu trabalho na Suíça, desde menino tinha seguido seu pai em Avignone, Strasburgo e assim conheceu a vida dos campos militares até que este se aposentou e se transferiram a Aleçon no ano de 1830. Louis aos 22 anos sonha uma vida religiosa e se apresenta ao mosteiro do Grande São Bernardo mas não vem aceitado porque não conhecia o latim, todavia por oito anos conduz uma vida quase monástica, toda dedicada ao trabalho, a oração e a leitura.

A mãe Zélie Guérin, nascida o dia 23 de Dezembro de 1831 em uma família de origem humilde, foi educada por um pai autoritário e por uma mãe muito severa, também ela pensa à vida religiosa, mas o seu pedido de ser acolhida nas freiras do Hotel Dieu d'Aleçon foi negada e então se lança na fabricação do "Ponto de Aleçon" abre uma loja e se transforma em uma hábil trabalhadora e terá sucesso.

Já desde o seu nascimento, Teresa conhece o sofrimento: a somente quinze dias de vida risca de morrer devido a uma enterite aguda. Com dois meses Teresa supera uma crise porém a mãe foi obrigada, sob conselho médico, de separar-se da filha e dá-la por um período a uma ajudante.

Com quatro anos Teresa perde a mãe, devido a um câncer no seio, todavia as irmãs fazem do melhor para crescer a pequena Teresa, no mesmo período se transferem a Lisieux (Calvados). Com nove anos quando sua irmã Paulina, a sua "pequena mãe", entra ao Carmelo da cidade, Teresa cai gravemente doente. Ninguém sabe diagnosticar a doença. Teresa, familiares e amigos oram muito. No dia 13 de Maio de 1883, quando já parecia inevitável a morte, Teresa vê a Virgem sorridente e imediatamente se restabelece. A cura repentna e aquele sorriso materno de Maria a fazem ainda mais determinada a realizar o sonho de sempre ou seja, consagrar-se totalmente ao Amor. Na primeira comunhão (8 de Maio de 1884) Teresa experimentou de sentir-se amada "foi um beijo de amor, me sentia amada e dizia também: Te amo, me dou a ti para sempre".

Sucessivamente também a primogênita Maria entra no Carmelo. Aos 14 anos, Teresa anuncia ao pai a intenção de entrar no Carmelo. Aos 15 anos (o 9 abril 1888) passa pelo portão da clausura, depois de ter obtido - considerada a sua jovem idade - uma autorização particular do papa Leão XIII, que encontrou no dia 20 de novembro de 1887 em Roma. No Carmelo era calmíssima e reencontrou a paz, que não a abandonou mais, nem durante a prova. A madre Gonzaga, apesar da jovem idade de Teresa a tratava com severidade, todavia ela nunca se lamentou.

No entanto as condições do pai pioravam. A arteriosclerose devastou o pai de Teresa que foi interdito e internado por três anos em um hospital. Este fato lhe deu uma terrível dor.

Mas as provas maiores para ela não foram aquela da saúde, mas a "noite" do espírito que a co-envolveu por 18 meses. Experimentou isto não através das frequentações dos ateus, mas no silencio de Deus entendeu a condição do ateu: "Deus permitiu que a alma minha fosse invadida pelas trevas e que o pensamento do Céu, dulcíssimo para mim, não existisse, mas era somente luta e tormento".

A sua saúde ruim todavia não resistia muito tempo ao rigor da regula carmelitana e no dia 30 de setembro de1897, à idade de 24 anos, morrerá de tubercolose, vivendo dia a dia os seus sofrimentos em perfeita união a Jesus Cristo morto em cruz, para a salvação dos homens.

Este período de nove anos transcorridos em uma vida de religiosa, aparentemente sem importância, terão um maravilhoso significado espiritual, tanto mais forte se se considera que naquela época muitas pessoas simples, graças ao seu exemplo, se sentem de poder imitar e alcançar o mesmo nível desta alma sem pretender nada ou sem complicações, mas todavia muito exigente com si mesma. Aquela de Teresa é a "estrada da infância", ou "pequena estrada" que faz reconhecer a própria miséria e se abandona com confiança à bondade de Deus como uma criança nos braços de sua mãe.

Na vida de Teresa tudo é um contraste. A sua linguagem é pobre e frequentemente infantil, mas o seu pensamento é genial. A sua vida aparentemente sem dramas é invés uma tragédia de fé. A sua existência se é passada entre quatro paredes do Carmelo, no entanto a sua mensagem é universal.

Teresa escreveu muito. Compôs três manuscritos, um no ano de 1895, "Historia de uma alma" (chamado manuscrito A), autobiografia escrita porque pedida pela irmã Paulina (madre Agnese) um outro no ano 1897 (chamado manuscrito B), ano em que escreve para obedecer à sua priora. As suas irmãs depois recolheram as suas "últimas conversações" no maio de 1897 no dia da sua morte (este chamado manuscrito C). Ficam admirados também pelo grande número de cartas enviadas à família e das numerosas poesias que compôs. Teresa sofreu muito. As provas espirituais que passou no curso desta vida escondida (noite da fé, vazio espiritual, tentação de não crer) a fazem muito perto àqueles que duvidam e não crêem.

Teresa é conhecida quando morre em 1897, mas quando vem canonizada venti oito anos mais tarde, em 1925, a fama da sua santidade se é espalhada rapidamente no mundo inteiro: Lisieux será uma das destinações mais procuradas da grande massa de fiéis de todas as partes do mundo. Teresa vem proclamada, no mesmo ano, sempre pelo papa Pio XI padroeiro universal das Missões, - que ela rezou sempre sem trégua - padroeira da França, como Joana d'Arco.

Em 1997, centenário da sua morte, Teresa é declarada "Doutora da Igreja", a terceira mulher que alcança o máximo de consideração teológica em dois mil anos de Cristianismo, depois de Santa Catarina de Siena e Santa Teresa d'Ávila.

O santo é visto como um protótipo que polariza as energias e indica como realizar o Evangelho em uma determinada época. S. Teresa de Lisieux é profundamente moderna porque ajuda o espírito e o coração a fundir as coisas da terra àquelas do céu e entender as coisas de Deus, do seu Amor, aos comportamentos mais concretos.

Na linguagem de hoje se fala frequentemente de tensão, para exprimir a dificuldade que tem um homem em viver conscientemente a nível espiritual. S. Teresa nos oferece um equilíbrio harmonioso. Por este motivo pode ser facilmente utilizada como modelo de vida espiritual.

A jovem carmelitana põe a santidade evangélica facilmente a todos inserindo-a no normal modo de viver e do seu ímpeto missionário, se irradia a mais genuína contemplação que invade toda a sua incredível fecundidade apostólica.

Doutrina de Santa Teresa

A "pequena estrada" proposta por Teresa consiste em soltar o dinamismo da esperança através da dinâmica de uma confiança total, para poder alcançar o fim do caminho, por assim dizer, com as mãos vazias: apesar da criatura seja empenhada a executar e cultivar todas as obras de Amor, as mãos devem ser repletas somente das obras e dos méritos do próprio Deus.

Para Teresa todos nós somos chamados a alcançar o cume da montanha do Amor e os Santos são aqueles que conseguiram subir sobre a montanha cujo cume se perde no céu. Teresa não se é nunca interrogada sobre o caminho que a teria conduzida à "Montanha do Amor" mas se deixou conduzir por Jesus em total abandono.

E próprio o Amor Infinito que, abaixando-se sobre a criatura, preenche todas a distâncias e todas as obras, salvo a única obra que somente a criatura pode realizar: o abandono total.
Não pode ser o homem a gestar a Misericórdia de Deus nem através da sua fraqueza ou dos seus pecados, ma é Deus misericordioso na sua mesma natureza que se abaixa sobre o nosso nada.

A descoberta de Teresa consiste próprio na necessidade de abandonar-se à Graça porque é certa, que seja o Amor a fazer subir e gerar as obras. A Montanha da santidade é então uma "Montanha de Amor", que é fácil subir quanto é fácil para os braços dos pais levantarem os seus bebes. Para Teresa a "estrada breve" consiste no ser pegada nos braços por Jesus e levada por Ele até o cume da Montanha do Amor.

A "pequena estrada" intuída por Teresa é nova pelo fato de ser incredivelmente breve; tão imediata que não existe, em quanto cada percurso serve para uma distância. Na pequena estrada traçada por Teresa não se prevê nenhum espaço a percorrer, nenhum tempo a esperar, se não o deixar-se pegar aqui, agora. Todavia também se a estrada é toda de Deus, a criatura deve procurar continuamente o lugar apropriado à Misericórdia e colocar-se lá onde a Misericórdia possa exprimir toda a sua grandeza.
Em outras palavras na relação do Amor assim como entendido por Teresa também se um dos dois pegasse toda a iniciativa, ao outro restaria o dever de mergulhar-se na intimidade que lhe é oferecida.

Em síntese a doutrina de Teresa consiste nos seguintes princípios:

1.   Deus é Amor Misericordioso, a Sua natureza o leva a abaixar-se a tudo aquilo que é pequeno e necessitado de amor.

2.   A criatura é mais ela mesma quanto mais compreende o próprio "nada" ou seja, a própria pobreza, a própria miséria e sente no coração os infinitos desejos de Deus.

3.   A fraqueza, a pobreza e até o pecado não são um obstáculo ao amor, ao contrário, as vezes o atraem.

4.   A Igreja é sobre a terra o "ninho de Amor" em que se celebra o encontro entre o Criador e a criatura.

5.   Quando a criatura se deixa atrair e queimar pelo Amor Infinito, leva com si na sua subida todos aqueles que Deus as deu em confiança.

Teresa compreendeu através do movimento caridoso do seu coração e através do olhar da fé o fundamento trinitário da Misericórdia. O vulto do Pai e aquele do Filho quase se sobrepõem no seu coração e na sua mente: entendeu que a Misericórdia é radicada no próprio mistério da natureza de Deus.

Teresa compreendeu através do movimento caridoso do seu coração e através do olhar da fé o fundamento trinitário da Misericórdia. O vulto do Pai e aquele do Filho quase se sobrepõem no seu coração e na sua mente: entendeu que a Misericórdia é radicada no próprio mistério da natureza de Deus.
Teresa quer nos transmitir o Amor Misericordioso de Deus que todo circunda, como um oceano em que a gota se perde, como um abisso onde é doce precipitar. Compreendeu que nas criaturas existem um grande limite "no dar amor", mas que todavia podem ser todos "infinitos no receber amor e em deixar-se amar".

João Paulo II em Lisieux (Pregação do dia 2 de Junho de 1980)
"Ser crianças, transformar-se como crianças quer dizer entrar no meio da maior missão que atravessa o coração do homem. Teresa, ela o sabia perfeitamente. Esta missão vem da origem do amor eterno do Pai. O Filho de Deus, como homem, em maneira visível, "histórica" e o Espírito Santo, em maneira invisível e "carismática", a levam a conclusão na história da humanidade".

Infância

Teresa, já nos primeiros meses de vida, sofreu graves doenças que a conduziram quase à morte. Todavia Teresa escreve; "Como era feliz nesta idade! Já começava a saborear a vida...

A infância feliz

Como passaram rápido os anos ensolarados da minha infância, mas que doce nostalgia esses anos deixaram na minha alma". (Ms A,11r.v) e ainda "Com uma natureza como a minha, se tivesse sido educada por pais sem virtudes... teria sido muito ruim e talvez me teria perdido". (Ms A, 8v).
A primeira infância é o início de uma historia na qual nenhum êxito é impedido seja a santidade como a perdição. Sem uma mãe que ajude a rezar, as palavras se esfriam na boca e no coração. Teresa percebe quanto seja irreparável a perda da mãe "Ah, não é como a mãe... Ela sempre nos fazia orar!" (Ms A,12v).
Era uma família em que Dio era amado e procurado como uma pessoa viva, como uma pessoa querida e presente..
"Mais adiante quando me apareceu a perfeição, entendi que para ser Santa era necessário sofrer muito, procurar sempre a perfeição e esquecer de si mesmos..."
(Ms A, 10r.v.).

A infância sofrida

Com a morte da mãe, Teresa conhece o sofrimento e o seu caráter perde a radiosidade que a distinguia "...o meu caráter feliz mudou completamente, eu tão vivaz, tão expansiva, me transformei em tímida e doce, sensível ao excesso". Teresa escolhe uma segunda mãe na irmã Paolina que faz todo o possível, mas a menina sabe que o mundo materno é fechado para ela para sempre. E no nível do amor que a personalidade foi abalada. Quando Teresa deverá frequentar, como todas as irmãs, o pensionato da Abacia das Beneditinas, aqueles cinco anos serão para ela um tormento. "Com a minha natureza tímida e delicada, não sabia me defender e me satisfazia em chorar sem dizer nada...". (Ms A, 22v).
Existe em nós uma insistente tendência a igualar a bondade com o ceder, a compreensão com a cumplicidade, a paciência com a fraqueza. A Teresa menina lhe vem negada repetidamente a mãe, sofre até morrer e continua a invocá-la desesperadamente, até que esta mesma invocação desesperada pareça suprimir qualquer outro impulso vital. "A Virgem me fez sentir que era verdadeiramente Ela que me tinha sorrido e me tinha curado".

As Graças

Teresa desde a adolescência já conhece por experiência a possibilidade de tocar o coração dos homens também os mais endurecidos. Desde os primeiros anos, é evidente a existência de um dom específico do Espírito Santo, que invade progressivamente todos os espaços da sua alma, do seu coração e até da sua atividade seja interior que exterior ou seja, o dom da Piedade. Ser feliz de Deus e fazê-lo feliz será então o segredo da sua vida.
"Aquilo que vinha a fazer ao Carmelo declarei aos pés de Jesus Eucaristia, no exame que antecipou a minha profissão: vim para salvar as almas e sobretudo a orar para os sacerdotes".

Da infância ao Vulto Santo

Teresa decidiu de percorrer a estrada da mortificação, não tanto como empenho ascético, mas como cortesia amorosa pelo Esposo presente, ao qual tudo queria doar. Um sofrimento duríssimo colpiu Teresa desde os primeiros meses da sua vida monástica, um sofrimento que absorve em si e reformula qualquer outra dor, qualquer outra aridez, qualquer outro destaque afetivo: a grave doença do pai. Teresa queria poder esconder no vulto adorável de Jesus para estar certa de não mais pecar, porque o seu constante tormento interior é de estar certa de não ter ofendido Deus em modo da afastar o Seu rejeito; sò o pensamento que uma tal coisa pudesse acontecer, sem que Ela fosse consciente, lhe angustiava.

 

A Missão

Para Teresa a sua missão terrena é: "Amor e fazer amar a Santa Trindade" e "Amar Jesus e fazê-lo amar".

A Missão terrena de Santa Teresa: Amar

Teresa escolheu verdadeiramente para si o Amor de cada instante e de cada ação; desejava preparar com flores e perfumes o jardim da sua alma para acolher o Rei dos céus e se sentia tão coenvolvida do amor que não conseguia entender nem ela mesma como poderia tirar alguma coisa ao Amor.

Para o místico a perfeição consiste em "fazer a vontade de Deus", invés segundo Teresa é "Ser aquilo que Ele quer que sejamos" e afirma: "quero empenhar-me a fazer com o maior abandono a vontade de Deus".

Teresa teve uma vocação contemplativa. Ela não se fez tanto problema, intuiu com uma radicalidade absoluta que a contemplação era em si mesma ação apostólica.

Teresa fez uma descoberta extraordinária: "para que o Amor seja satisfeito é necessário que se abaixe até o nada e que transforme este nada em fogo". Por isso quer abaixar-se até o nada ou seja reduzir-se a nada para dar espaço a Misericórdia, para faze-la concluir todo o caminho.

Assim Teresa experimenta e ensina a agir sem nunca afastar-se, nem por um minuto, da persuasão que Deus esta fazendo através de nós. Ensina a agir exclusivamente segundo a Sua ação, a agir na persuasão que somente Ele pode verdadeiramente trabalhar nos corações e nas almas e a agir unindo-se sempre mais à essência de Jesus.

A missão "espiritual", de Teresa consistiu nisso: de um lado devia queimar no Amor e no outro devia ficar envolvida nas trevas.Ela mesma escreve: "Me é impossível entregar inteiramente as minhas angústias, teria medo de ofender o bom Deus exprimindo em palavras tais pensamentos. E eu que o amo tanto! Mas tudo isto é incoerente".

A tentação a qual Teresa era coenvolvida se fazia insustentável somente quando o demônio descobria inteiramente as suas cartas e a agredia diretamente ao coração:" Ontem a noite sentia uma grande angústia e as minhas trevas aumentaram. Não sei qual voz maldita me dizia: És certa que Deus te ama?".

Teresa reage sempre à tentação com alegria, paz e fé, também quando as parecem de não compreender nada ou de compreender outras coisas que o demônio as diz ao ouvido. As vezes a tentação a empurra até quase ceder, até lá onde ela pode resistir somente se se abandona completamente nos braços de Deus. Deste modo consegue vencer a tentação da dúvida e a sua força consiste viver neste total abandono nos braços de Deus.

No período da sua prova, Teresa não esquece o próximo, ao contrário, através deste amor lhe parece quase de compreender o verdadeiro significado da "caridade". A este propósito chega até a dar as indicações gerais: suportar os defeitos dos outros, não admirar-se das fraquezas deles, mas sobretudo não esconder a caridade no fundo do coração, a deixá-la emergir em modo que clareie verdadeiramente o próximo. Não é verdadeiro amor se não aquele que nasce do próprio coração de Deus e da Ele emana, tanto que cada amor humano pode somente transferir e trazer em terra aquilo que obteve do alto.

 

O sofrimento de Teresa.

O sofrimento de Teresa era atroz, porque além da doença ao peito se juntou a tubercolose aos intestinos, que trouxe com si a gangrena, enquanto se formavam chagas, causadas pela sua extrema magreza; males que não podiam em algum modo aliviar e se anunciaram dias ainda mais tristes. Foi ela mesma a acompanhar as irmãs dentro ao mistério da sua paixão que se preanunciava particularmente insuportável. "Não serdes tristes, minhas irmãzinhas, se sofro muito e se no momento da morte não vereis em mim, como vos já disse, nenhum sinal de felicidade. Nosso Senhor morreu como vítima de Amor, e vedes que foi a sua agonia!".
(QC 4.6.1).

Quando a agonia de Teresa chegou foi terrível e longuíssima. Contou a irmã Celina (Irmã Genoveffa): "lá pela metade da tarde, ela sentiu dores estranhas em todos os membros. Pousando então o braço no ombros de Madre Agnese de Jesus, ela estendeu o outro em direção a mim para fazer-se apoiar e ficou assim por alguns instantes. Naquele momento tocou três horas... e nós sentimos uma certa emoção. Que coisa pensava ela naquele momento? A nós vinha a imagem surpreendente de Jesus na Cruz e aquela coincidência me pareceu cheia de mistério".
(PO 310).

As cinco se deram conta que o fim era eminente: "Por mais de duas horas a falta de ar se fez sentir. O vulto era congestionado, as suas mãos roxas, tinha os pés gelados e tremia com todos os membros. Um suor intenso lhe descia pelo rosto com gotas enormes e banhava as suas bochechas. Era debaixo de uma opressão crescente, as vezes dava pequenos gritos involuntários. Às seis, quando tocou o Angelus, olhou longamente a estátua da S. Virgem...".
(QG 30.9).

As últimas palavras que Teresa pronunciou sobre a terra, fixando o seu Crucifixo poucos instantes antes de expirar, colpiram os corações de muitos cristãos "Oh, eu o amo! Meu Deus... eu vos amo...". Palavras de amor em uma morte de amor, também se muitas vezes nos esquecemos de qual terrível cruz essas palavras foram elevadas em direção ao Pai celeste.

Os últimos instantes antes de expirar foram uma dulcíssima êxtase que durou quanto o espaço de um Credo, a qual assistiram toda a comunidade ajoelhada perto da cama. Parecia que alguém as falasse e ela fazia pequenos movimentos como se quisesse responder: tinha nos seus olhos uma felicidade inexprimível. Uma infinita surpresa, come se as suas esperanças fossem estadas todas infinitamente superadas. Mas a surpresa maior era dada pelo que transparecia do seu vulto naqueles instantes supremos: parecia que o acolhimento reservado a ela por Deus fosse um carinho e de uma misericórdia tais que nem ela, Teresa, conseguia imaginar.

Tinha dito um dia, para explicar a doçura com que se preparava a ir ao encontro com Deus: "Se Ele me chamará a atenção, mesmo só um pouquinho, eu não chorarei. Mas se Ele não me chamará a atenção, se me acolher com um sorriso, então chorarei!".
(QC 21.7.2).

Por algumas horas o seu vulto aquistou uma comovente beleza, as mãos de Teresa apertavam forte o Crucifixo que não conseguiam tirá-lo da sua mão e o delicado corpo parecia aquele de uma moçinha de 12-13 anos. Assim como Jesus sobre a cruz, Teresa tinha revelado ao mundo toda a sua eterna filialidade, abandonando-se nas mãos de seu Pai.

Aquilo que comove na descrição da paixão da jovem carmelitana é a sua chamada a voltar a ser menina, até á própria substância do seu ser ou seja, no espírito, na alma e até no corpo.

Eu sou "uma pobre pequena nada" dizia Teresa, contemplando com frêmito de paixão e de doçura o Amor que irresistivelmente se abaixava até a ela. E no leito de dor aquela pobre nada, torturada pelo sofrimento, sabia que toda a sua esperança consistia no deixar-se amar.

Aquilo que Teresa teria querido comunicar a todos, mesma reduzida naquele estado deplorável, era o seu sentimento assim resumido em um escrito: "O Deus, como és doce para a pequena vítima do Teu Amor".

A Regra que o patriarca Alberto de Jerusalém deu a um grupo de eremitas latinos reunidos na montanha do Carmelo nos inícios do séc. XIII recita: "Os irmãos eremitas ficam em celas separadas, dia e noite meditando a Lei do Senhor em oração"..

Teresa Carmelitana

"Meditar dia e noite a lei do Senhor" é então a fórmula clássica com que a tradição monástica repreendeu o comando que já o Apostolo Paulo deu aos cristãos de "orar sem interrupção". O preceito bíblico da "oração incessante" caracterizou a Igreja inteira desde as suas origens e é próprio de tal exigência que nasceu a experiência monástica.

Desta depois descende a experiência carmelitana que, no panorama do monaquismo, se apresentará sempre como "originária e paradigmática".

Se aos cristãos é pedido o empenho de fazer com que "toda a vida seja uma contínua oração", obedecendo em cada circunstância à vontade de Deus, com o escutar da Palavra. Aos monges invés vem pedido de fazer com que "a oração se transformasse em toda a vida". Procurando a "calma" interior (hesychia) e aquela exterior (deserto) eles teriam alcançado o ideal de uma oração capaz de abraçar todos os momentos da vida, dia e noite.

Estes eram os objetivos dos primeiros séculos: "Fazer de toda a vida uma oração" e Fazer da oração toda a vida".

Os monges, com o tempo transformados em cenobitas, se assumem o dever de fazer sim que toda a vida, seja um escutar e o cumprir constante da "Lei de Deus". Tal ideal eremita se transforma em uma obrigação para os leigos e monges, pronto sempre a ressurgir em qualquer época da história eclesial, como impulso a uma "oração totalizante".

O Carmelitanismo já no início do séc. XIII, representa um destes renascimentos "eremitas" que se desenvolvem segundo os tradicionais critérios do antigo "esicasmo" patrístico. ((sistema espiritual de orientação essencialmente contemplativo que procura a perfeição).
Já na primeira "fórmula de vida" que Alberto, Patriarca de Jerusalém, escreveu para aqueles eremitas que se eram espontaneamente reunidos na montanha sagrada do Carmelo, representava uma ligeira correção do antigo hermetismo em sentido cenobitico.

O cenobitismo, consolidado à séculos, tinha entendido já a tempo que o hermetismo puro é cristamente perigoso porque risca de tirar o discípulo de Cristo àquele abraço comunitário e eclesial necessário para viver em modo concreto a Encarnação do Filho de Deus. O eremita radical, no tentativo incessante de ascensão à Deus, podia riscar de esquecer a necessidade do abraço eclesial dos irmãos na fé.

Para os primeiros Carmelitanos a "fórmula de vida", representa então o equilíbrio, como resultado do encontro entre um fervoroso e espontâneo renascer da vocação eremítica e a sabedoria já secular da Igreja que oferece pequenos e oportunos corretivos comunitários. Porém o projeto heremítico fica substancialmente intacto e as indicações da Regra são fundamentais àquelas elaboradas no antigo esicasmo.

A experiência carmelitana acrescenta porém algo de específico: aqueles primeiros eremitas interiorizaram um profundo sentido de responsabilidade e, pelo fato que eles eram reunidos na sagrada montanha do Carmelo, se sentiam herdeiros diretos do grande profeta Elia, universalmente reconhecido como Fundador de todo o monaquésimo.

Com o tempo esta certeza, fazia ver que os Carmelitanos vinham do período pré-cristão e os coligava com as origens dos acontecimentos de Cristo, em particular com a Virgem Santa, fez sim que eles sentissem com particular força e responsabilidade eclesial o problema da fidelidade às próprias origens herméticas.

A experiência heremítica no Carmelo pode durar somente alguns anos e se conclui, com a queda do Reino Latino (1261), com uma forçada migração de todos os heremitas no Ocidente, onde porém tinha iniciado a transferir-se desde 1235.
No Ocidente os Carmelitanos tentaram antes de perseverar na forma hermética, mas foram logo constrangidos a assimilar as formas de vida religiosa da época e se transformaram em "fraternidade mendicantes". A tal escopo a original "Fórmula de vida" vem oportunamente mitigada e aprovada como Regra de Inocêncio IV em 1247.

A história da Ordem em Ocidente se desenvolve primeiro em um certo clima de responsabilidade em relação à antiga identidade e depois em vários tentativos de reforma.

O estile de vida dos Carmelitanos se transformou em cenobitico e as fundações dos conventos nas cidades se reduziram a solidão hermética a um estado ideal, com uma participação sempre mais ativa à "cura da alma", à maneira das outras Ordens.
Esta passagem para os Carmelitanos foi acompanhada por fortes perplexidades: eles sentiram ainda mais o "problema" daquelas antigas nobres origens que os coligava ao profeta Elia e aos santos Padres do ântico e do novo Testamento; e isto fazia mais traumático para eles a passagem para a forma cenobítica, mendicante, apostólica de viver.
"Nós deixamos o mundo para poder melhor servir o Criador no castelo da Contemplação": assim exprimem os documentos oficiais ainda no ano 1287.

O heremetismo restou no entanto patrimônio espiritual próprio da Ordem, também se vinha agora compreendido sobretudo como "heremetismo do coração", dar na própria vida um lugar privilegiado à contemplação. Foram considerados como Fundadores da Ordem Elia e Maria. Em particular, um ícone da Anunciação foi para os Carmelitanos aquela que maiormente exprimia o sentido e o escopo da vocação deles.

O radicamento popular da Ordem acontece através da difusão da devoção mariana, em particular através da devoção do Escapular, método simples para o dar-se dos fiéis à Mãe da Misericórdia que cobre os seus filhos com o seu hábito santo.

Orações

Ou pequena Santa Teresa do Menino Jesus que na sua curta existência você era um exemplo de pureza angélica, de grande amor e generoso abandono em Deus, agora que você aproveita o prêmio de suas virtudes dê uma olhada de compaixão para mim que eu confio em você.

ATO DE OFERTA

ao Amor Misericordioso do bom Deus escrito da santa Teresa do Menino Jesus.

Santa Teresinha do Menino Jesus levava noite e dia no seu coração este ato de oferta, no libro dos santos Evangelhos. J.M.J.T.

Oferta de mim mesma como Vítima do holocausto ao Amor Misericordioso de Deus.

Meu Deus, Trindade beata, desejo amar-te e far-te amar, trabalhar pela glorificação da santa Igreja, salvando as almas que estão na terra e livrando aquelas que sofrem no purgatório. Desejo fazer perfeitamente a tua vontade e chegar ao grau de glória que tu no teu reino preparou para mim, em uma palavra, quero ser santa. Sinto porém a minha impotência e te peço, oh Deus, de ser tu a minha Santidade.
Como tu mi amaste até me dar o teu único Filho como Salvador e Esposo, os tesouros infinitos dos seus méritos são para mim; os ofereço a ti com alegria, suplicando-te de não olhar-me se não através do Vulto de Jesus e no seu Coração ardente de Amor.
Te ofereço todos os méritos dos santos (que estão no céu e na terra), os atos de Amor deles e aqueles dos anjos santos; enfim te ofereço, o beata Trindade, o Amor e os méritos da Madona, Mãe minha querida; é a ela que entrego a minha oferta, suplicando-a de apresentá-la a ti.
O seu divino Filho, meu Esposo, Preferido, quando era sobre a terra nos disse: "Tudo aquilo que pedireis ao meu Pai no meu nome, Ele vos concederá!". Estou então certa que me exaurirá.
Sei, oh meu Deus, mais queres dar, mais fazes desejar.
Sinto no meu coração imensos desejos e é com confiança que te peço de vir a impossessar-se da minha alma. Ah, não posso receber a santa comunhão todas as vezes que o desejo, mas, Senhor, Tu não és o Onipotente? Fica comigo, como no tabernáculo, não afastar-te nunca da tua pequena ostia...
Gostaria de consolar-te pela ingratidão dos ruins e te suplico de tirar-me a liberdade de desagradar-te; se as vezes, por fraqueza, deveria cair, o Teu Olhar Divino purifique logo a minha alma queimando cada imperfeição, como o fogo que transforma em si todas as coisas...
Meu Deus, te agradeço de todas as graças que mi deste, em particular de ter-me feito passar através do sofrimento. E com alegria que te contemplarei, no último dia, levando a cruz;
porque te dignaste de fazer-me parte desta cruz tão preciosa, espero de assemelhar-ti no céu e de ver brilhar sobre o meu corpo glorificado as sagradas estigmates da tua Paixão...
Depois do exílio terreno, espero de apreciar-te no teu reino; mas não quero acumular méritos para o céu; quero trabalhar somente pelo teu Amor, no único desejo de fazer-te feliz, de consolar o teu sagrado Coração e de salvar almas que te amarão para sempre.
Ao entardecer desta vida, me apresentarei a Ti, oh Senhor, com as mãos vazias, porque não quero pedir-te de cantar as minhas obras… Toda a nossa justiça se apresenta manchada aos teus olhos. Quero revestir-me então da tua Justiça e receber do teu Amor o possesso eterno de Ti. Não quero outro Trono ou outra Coroa se não Ti, oh meu Preferido!...
Aos teus olhos o tempo é nada, um dia somente são como mil anos, Tu podes, então, em um instante, preparar-me para que eu apareça diante a Ti.
Para viver em um Ato de Amor Perfeito, ME OFEREcedil;O COMO VÍTIMA DE HOLOCAUSTO AO TEU AMOR MISERICORDIOSO, suplicando-te de consumir-me sem parar, deixando transbordar na minha alma um fluxo de infinita doçura que estão dentro di ti e que eu seja, assim, Mártire do teu Amor, oh meu Deus!...
Que este martírio, depois de me ter preparado a aparecer diante de Ti, me faça, depois, morrer e que, logo, a minha alma voe no eterno abraço do teu Amor Misericordioso. Oh meu Preferido, a cada pulsar do meu coração quero renovar esta oferta, infinitas vezes, até que, desaparecida as sombras, eu possa confirmar o meu Amor em um Eterno Face a Face...

Maria Francesca Teresinha
do Menino Jesus e do Santo Vulto
carm.sc.ind.

Festa da S.S. Trindade, 9 junho do ano de graça 1895


CONSAGRAÇÃO VULTO SANTO

(composta para o noviciado)

Oh Vulto adorável de Jesus! Como tu se dignou de escolher em modo particular a nossas almas para doar-te a elas, nos viemos a consagrá-las a Ti.
Oh Jesus, nos parece de te escutar dizer: "Abre, minhas irmãs, minhas esposas preferidas, porque o meu Vulto é coberto de orvalho e os meus cabelos estão úmido devido a neblina da noite".
As nossas almas entendem a tua linguagem de amor; queremos procurar o teu doce Vulto e te consolar na escuridão dos pecadores. Aos olhos deles, Tu estás ainda como escondido... Te consideram como um objeto de desprezo!
Oh Vulto mais bonito dos lírios e das rosas primaveris! Tu não estás escondidos aos nossos olhos! As lágrimas que banham o teu Olhar Divino nos parecem preciosos diamantes que queremos recolher, para comprar, com o infinito querer deles, as almas dos nossos irmãos.
Escutamos o amoroso lamento da tua Boca Adorada. Compreendendo que a sede que te queima é sede de Amor, gostaríamos de possuir um Amor infinito para te poder satisfazer.
Esposo preferido das nossas almas! Se pudéssemos ter o amor de todos os corações, todo este amor seria para Ti... Então! Dá-nos este amor, vem beber através das tuas pequenas esposas...
Senhor, nos servem almas de apóstolos e mártires, a fim de que, com eles, possamos inflamar do teu amor a multidão de pobres pecadores.
Oh Vulto adorável, gostaríamos de obter da Ti esta graça! Esquecendo o nosso exílio nas margens do rio da Babilônia, nós cantaremos para os teus ouvidos as mais doces melodias. Como Tu és a verdade, a única Pátria das nossas almas, os nossos cantos não serão cantados em terra estrangeira.
Oh querido Vulto de Jesus! Esperando o dia eterno em que contemplaremos a tua Glória infinita, o nosso único desejo é de fazer alegrar os teus Olhos Divinos, escondendo também o nosso viso, a fim de que aqui embaixo ninguém possa nos reconhecer... O teu Vulto velado é o nosso Céu, oh Jesus!...

ORAÇÃO
Para alcançar graças por sua intercessão

Santa Teresinha do Menino Jesus que na vossa curta existência, de amor forte, e de tão generosa entrega nas mãos de Deus, agora que gozais do prêmio de vossas virtudes, volvei um olhar de compaixão sobre mim, que plenamente confio em vós.
Fazei vossas as minhas intenções, dizei por mim uma palavra àquela Virgem Imaculada de que fostes a florzinha privilegiada, à Rainha do Céu que vos sorriu na manhã da vida. Rogai-lhe a Ela que é tão poderosa sobre o Coração de Jesus, que me obtenha a graça por que nesta hora tanto anseio, e que a acompanhe de uma bênção que me fortifique durante a vida, me defenda na hora da morte e me leve à eternidade feliz. Amém.

- Pai, Ave, Gloria
- Salve, o Rainha


TRIDUO A SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

OREMOS
- Oh Deus, vem nos salvar.
- Senhor, vem logo em minha ajuda.
- Glória ao Pai...


1.   Eterno Pai que com infinita misericórdia recompenses quem fielmente escuta a tua palavra, pelo amor puríssimo que tua filha Santa Teresinha teve pelo Menino Jesus, em modo a obrigar-te a exaurir no céu os seus desejos, porque ela na terra tinha aderido com alegria à tua vontade, seja propício às suplicas que para mim ela mesma Te implora, e satisfaz as minhas orações dando-me a graça que Te peço.
- Pai Nosso, Ave, Glória

2.   Eterno Filho divino que prometeu de recompensar também o menor serviço feito ao próximo pelo teu amor, volve um olhar à tua esposa Santa Teresinha do Menino Jesus que teve tanto no coração a salvação das almas e por quanto fez e sofreu, escuta a sua promessa de "transcorrer o céu fazendo o bem na terra" e me concedes a graça que com tanto ardor Te peço.
- Pai Nosso, Ave, Glória

3.   Eterno Espírito Santo que enriqueceu com tantas graças a alma eleita de Santa Teresinha do Menino Jesus, eu Te suplico pela fidelidade com que correspondeu aos teus santos dons: escuta a oração que para mim ela mesma Te replica e acolhendo a sua promessa de "deixar cair uma chuva de rosas", concede-me a graça de que tenho tanta necessidade.
- Pai Nosso, Ave, Glória

De Lisieux

A vida cristã é um caminho que segue a estrada que vai em direção ao Pai com a ajuda da graça do Filho de Deus, em quanto necessitados desta ajuda para nos manter no caminho.

O drama da sua vida

O pecado, seja aquele que nós cometemos seja aquele que os outros cometem, nos estimula ao mal, se solidifica em estruturas que nos condicionam e nos tentam de nos perverter. São agressões constantes, as vezes violentas e diabólicas que atentam à nossa condição de filhos de Deus.

Neste drama nós atravessamos o tempo da nossa vida, por isso é necessário orar e trabalhar a fim de que o Senhor nos conceda o milagre da santidade, ou seja, a descoberta quotidiana de não poder ficar sem Jesus, de não ter outro amor que não seja Ele.

Teresinha, na sua terrível paixão dos seus últimos meses de vida, fez as suas mais tenras dedicações de amor e de confiança a Deus, porque aprendeu a conhecê-lo como Pai e a confiar completamente e obstinadamente nas Suas mãos, apesar das trevas do sofrimento.

Deus as vezes dos filhos mais amados exige o máximo, o que tem de mais difícil, o que é mais querido ao seu coração de Pai, ou seja, oferecer si mesmo pela salvação dos irmãos.

Teresinha disse sim, um sim integral, a nome de todos nós. Com o seu sim Teresinha si colocou completamente nos braços de Deus, o único que a podia totalmente e eternamente amar.

A experiência de Teresinha tem alguma coisa de perplexidade. Não foi entendida pelas suas irmãs que pegaram com leveza a mensagem. Não foi entendida pelos leitores que encantados da "Historia de uma alma" pensavam a uma santidade um pouco fácil. Ao processo de beatificação se duvidou do heroísmo das suas virtudes, tão ordinária parecia a sua estrada. Teresinha transmite a sua mensagem com uma linguagem disarmante, não usa termos abstratos e sem dúvida não é somente uma grande santa mas é também uma grande mestre de espiritualidade e de doutrina. Hans Von Balthazar falou de "existência teológica", em quanto toda a sua vida demonstrou em modo essencial, verdades extraordinárias.

Teresinha sente de poder alcançar com o seu amor quem há necessidade. Percebe de ter um lugar na igreja, aquele mesmo lugar que ocupa o Senhor, o lugar do Amor que se expande em todos os tempos e em todos os lugares. Amor que faz Teresinha missionária por excelência: ela é certa que "uma alma inflamada de amor não pode ficar inativa".

O mundo se salva de joelhos, o salvam quantos decidem de serem como crianças. Quantos aceitam como graça de descobrir os próprios limites e de transformá-los em grandeza, em uma invocação ao Deus clemente e misericordioso. Quantos fazem experiência que o Senhor nos ama por causa dos nossos limites? Quantos usam a expressão de S. Paulo: "Ponho a minha força nas minhas fraquezas"?

A espiritualidade de Teresinha revive naqueles que a sentem irmã e patrona e são capazes do abandono, de acolher a vida como a terra faz com a semente e atender com paciência as cores da primavera com os perfumes do tempo pascoal e o calor de verão. Com a esperança de saber atender o sereno e de ter a força de sorrir pelo temporal que muda os planos e cria os problemas. Com a contínua vontade de acolher, atender e aceitar o Mistério na total confiança ao Senhor.

Fonte - https://digilander.libero.it/raxdi/porto/temiteresa.htm

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São João Maria Vianney - O Santo Cura d´Ars

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Pouco dotado intelectualmente, atingiu esse santo vigário alto grau de santidade. Seu êxito foi tão grande, que atraiu multidões de todas as partes da França e de vários países europeus

o futuro Cura d’Ars nasceu na pequena localidade de Dardilly, perto de Lyon, na França, no dia 8 de maio de 1786, de família de agricultores piedosos. Foi consagrado a Nossa Senhora no próprio dia do nascimento, data em que foi também batizado.

Sua instrução foi precária, pois passou a infância em pleno Terror da Revolução Francesa, com os sacerdotes perseguidos e as escolas fechadas. João Maria tinha 13 anos quando recebeu a Primeira Comunhão das mãos de um sacerdote “refratário” (que não tinha jurado a ímpia Constituição do Clero), durante o segundo Terror, em 1799.(1)

Com a subida de Napoleão e a Concordata com a Santa Sé, foi possível a João Maria iniciar seus estudos eclesiásticos aos 20 anos, terminando-os aos 29, depois de mil e uma contrariedades.

É impossível, nos limites de um artigo, abranger toda a vida apostólica do Cura d’Ars. Por isso limitar-me-ei a abordar um aspecto dela, que foi como transformou a pequena localidade de Ars de modo a tornar-se ponto de admiração de toda a França.

Ars ao tempo da chegada do santo

Quando o jovem sacerdote chegou a Ars, esta era um pequeno aglomerado de casas, contando apenas 250 habitantes, quase todos agricultores. Como a maior parte das localidades rurais da França, sacudidas durante 10 anos pelos vendavais da Revolução Francesa, encontrava-se em plena decadência religiosa. Vivia-se um paganismo prático formado de negligência, indiferentismo e esquecimento das práticas religiosas.

A cidadezinha de Ars assemelhava-se às paróquias vizinhas, não sendo nem melhor nem pior que elas. Havia nela um certo fundo religioso, mas com muito pouca piedade.

Como transformá-la num modelo de vida católica, ambição de São João Batista Vianney?

Santificando-se para santificar os outros

Primeiro, pela oração e pelos sacrifícios do vigário por suas ovelhas. Já no dia de sua chegada, o Padre Vianney deu o colchão a um pobre e deitou-se sobre uns sarmentos junto à parede, com um pedaço de madeira como travesseiro. Como a parede e o chão eram úmidos, contraiu de imediato uma nevralgia, que durou 15 anos. Seu jejum era permanente, habitualmente passando três dias sem comer; e quando o fazia, alimentava-se somente de batatas cozidas no início da semana e já emboloradas. Mas ele sobretudo passava horas e horas ajoelhado diante do Santíssimo Sacramento, implorando a conversão de seus paroquianos.

Uma de suas primeiras medidas práticas foi reformar a igreja que, por respeito ao Santíssimo Sacramento, desejava que fosse a melhor possível.

“Esforcemo-nos para ir para o Céu”

Confessionário onde o Santo Cura d‘Ars atendia fiéis diariamente

Outra de suas solicitudes foi para com a juventude. Atraía todos para o catecismo. Exigia que este fosse aprendido de cor, palavra por palavra, e só admitia à Primeira Comunhão quem estivesse assim devidamente preparado. Instava com os meninos e adolescentes para que cada um levasse sempre consigo o Rosário, e tinha no bolso alguns extras para aqueles que houvessem perdido o seu.

Paulatinamente os esforços do santo foram sendo coroados de êxito, de maneira que os jovens de Ars chegaram a ser os mais bem instruídos da comarca.

Nas missas dominicais, pregava sobre os deveres de cada um para consigo, para com o próximo e para com Deus. Falava constantemente do inferno e do que precisamos fazer para evitá-lo: “Ó, meus queridos paroquianos, esforcemo-nos para ir para o Céu. Lá havemos de ver a Deus. Como seremos felizes! Que desgraça se algum de vós se perder eternamente!”

Ele exigia a devida compostura e atitude própria a bons católicos na igreja, por respeito à Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.

“Arruinados todos aqueles que abrirem tabernas”

A guerra que moveu contra as tabernas também foi bem sucedida. Aos que a elas iam, em vez de comparecer à missa no domingo, dizia: “Pobre gente, como sois infelizes. Segui vosso caminho rotineiro; segui-o, que o inferno vos espera”. Ameaçava-os de não só perderem os bens eternos, mas também os terrenos.

Aos poucos, por falta de fregueses, as tabernas foram se fechando. Outros tentaram abri-las, mas eram obrigados a cerrá-las. A maldição de um santo pesava sobre eles: “Vós vereis arruinados todos aqueles que aqui abrirem tabernas”, disse no púlpito. E assim foi. Quando elas se fecharam, o número de indigentes diminuiu, pois suprimiu-se a causa principal da miséria, que era moral.

Luta contra blasfêmias e trabalho aos domingos

Quarto do santo Cura d'Ars

“Blasfêmias e trabalhos nos domingos, bailes, cabarés, serões nas vivendas e conversas obscenas, englobava tudo numa comum maldição”. Por anos a fio pregou contra isso, exortando no confessionário, no púlpito e nas visitas que fazia às famílias. Dizia: “Se um pastor quiser se salvar, precisa, quando encontrar alguma desordem na paróquia, saber calcar aos pés o respeito humano, o temor de ser desprezado e o ódio dos paroquianos [e denunciar o mal]”.

A guerra do santo cura contra as blasfêmias, juramentos, imprecações e expressões grosseiras foi sem quartel; e tão bem sucedida, que desapareceram de Ars. Em vez delas passou-se a ouvir entre os camponeses expressões como Deus seja bendito! Como Deus é bom! Em vez das cançõezinhas chulas da época, hinos e cânticos religiosos.

A luta contra o trabalho nos domingos foi também tenaz e durou quase oito anos. “A primeira vez que do púlpito abordou o tema, fê-lo com tantas lágrimas, tais acentos de indignação, com tal comoção de todo o seu ser que, passado meio século, os velhos que o ouviram ainda se lembravam com emoção. [...] Vós trabalhais, dizia ele, mas o que ganhais é a ruína para a vossa alma e para o vosso corpo. Se perguntássemos aos que trabalham nos domingos 'que acabais de fazer?’, bem poderiam responder: ‘Acabamos de vender a nossa alma ao demônio e de crucificar Nosso Senhor. Estamos no caminho do inferno’”. Depois de muita insistência, em Ars o domingo tornou-se verdadeiramente o Dia do Senhor.

Combate aos bailes durante 25 anos

Ars era o lugar predileto dos jovens dançarinos das vizinhanças. Tudo era pretexto para um baile. Para acabar com eles, o Santo Cura d’Ars levou 25 anos de combate renhido.

Explicava que não basta evitar o pecado, mas deve-se fugir também das ocasiões. Por isso, abrangia no mesmo anátema o pecado e a ocasião de pecado. Atacava assim ao mesmo tempo a dança e a paixão impura por ela alimentada: “Não há um só mandamento da Lei de Deus que o baile não transgrida. [...] Meu Deus, poderão ter olhos tão cegos a ponto de crerem que não há mal na dança, quando ela é a corda com que o demônio arrasta mais almas para o inferno? O demônio rodeia um baile como um muro cerca um jardim. As pessoas que entram num salão de baile deixam na porta o seu Anjo da Guarda e o demônio o substitui, de sorte que há tantos demônios quantos são os que dançam”.

O Santo era inexorável não só com quem dançasse, mas também com os que fossem somente “assistir” ao baile, pois a sensualidade também entra pelos olhos. Negava-lhes também a absolvição, a menos que prometessem nunca mais fazê-lo. Ao reformar a igreja, erigiu um altar em honra de São João Batista, e em seu arco mandou esculpir a frase: Sua cabeça foi o preço de uma dança!... É de ressaltar-se que os bailes da época, em comparação com os de hoje, sobretudo do pula-pula frenético e imoral do carnaval e as novas danças modernas, eram como que inocentes. Mas era o começo que desfechou nos bailes atuais.

A vitória do Pe. Vianney neste campo foi total. Os bailes desapareceram de Ars. E não só os bailes, mas até alguns divertimentos inofensivos que ele julgava indignos de bons católicos.

Junto a eles combateu também as modas que julgava indecentes na época (e que, perto do quase nudismo atual, poderiam ser consideradas recatadas!). As moças, dizia, “com seus atrativos rebuscados e indecentes, logo darão a entender que são um instrumento de que se serve o inferno para perder as almas. Só no tribunal de Deus saber-se-á o número de pecados de que foram causa”. Na igreja jamais tolerou decotes ou braços nus.

Ars transformada pelo santo

Altar com o corpo do santo Cura d‘Ars

Um sacerdote santo torna piedosos seus paroquianos. Assim, apenas três anos e meio depois de sua chegada, o santo Cura já podia escrever: “Encontro-me numa paróquia de muito fervor religioso e que serve a Deus de todo o seu coração”. Em 1827 (seis anos depois), exclamava entusiasmado do púlpito: “Meus irmãos, Ars não é mais a mesma! Tenho confessado e pregado em missões e jubileus. Nada encontrei como aqui”.

É que, ao mesmo tempo em que reprimia os abusos, semeava também a boa semente. E ele aspirava, para seus paroquianos, ao ideal de perfeição do qual os cria capazes. Recomendava-lhes que rezassem antes e depois das refeições, recitassem o Ângelus três vezes ao dia onde quer que estivessem; e que, ao levantar e deitar, fizessem a oração da manhã e a da noite. Esta passou a ser feita também em comum na igreja ao toque do sino. Os que ficavam em casa ajoelhavam-se diante de algum quadro ou imagem religiosa, ali fazendo suas orações.

Com o tempo passou-se a dizer que em Ars o respeito humano fora invertido: tinha-se vergonha de não fazer o bem e de não praticar a Religião. O que é um auge de vitória da Igreja! Ars tornou-se também um centro de piedade e religiosidade.

Por isso, os peregrinos admiravam nas ruas da cidade a serenidade de certos semblantes, reflexo da paz perfeita de almas que vivem constantemente unidas a Deus.

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Notas:

1. Francis Trochu, O Santo Cura d’Ars, Editora Littera Maciel Ltda., Contagem, MG, 1997, p. 27. Todos os textos citados sem mencionar a fonte foram extraídos desta obra.

Outras obras consultadas:

– Edelvives, El Santo de cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1948, tomo 4, pp. 403 e ss.

– Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo 3, pp. 313 e ss.

 

FONTE -· Plinio Maria Solimeo - http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=AD59E81E-D9EC-1A31-248EEA840880192A&mes=Maio2008

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São Jorge é santo mesmo?

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A Igreja não tem dúvida de que São Jorge existiu e é Santo; tanto assim que sua memória é celebrada no Calendário litúrgico no dia 23 de abril.

Foi mártir; a Igreja possui os “Atos do seu martírio” e sua “Paixão”, que foi considerada apócrifa pelo Decreto Gelasiano do século VI. Mas não se pode negar de maneira simplista uma tradição tão universal como veremos: a Igreja do Oriente o chama de “grande mártir” e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos.

São Jorge é considerado um dos “oito santos auxiliadores” (8 de agosto). Já no século IV o grande imperador romano Constantino, que se converteu ao cristianismo em 313, construiu uma igreja em sua honra. No século V já havia cerca de 40 igrejas em sua honra no Egito. Em toda a Europa multiplicaram as suas igrejas. Em 1222, o Concílio Regional de Oxford na Inglaterra estabeleceu uma festa em sua honra, e nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária na Inglaterra ordenou que esta festa fosse celebrada com tanta celebridade como o Natal. No ano de 1330, o rei católico Eduardo III da Inglaterra já tinha fundado a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge.

São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de muitas cidades como Gênova, Ravena, Roma, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do Papa Bento XIV.

O culto a São Jorge começou desde os primeiros anos da Igreja em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado e sepultado no início do século IV. Seu túmulo era alvo de peregrinações na época das Cruzadas, no século XII, quando o sultão muçulmano Saladino destruiu a igreja construída em sua honra.

A conhecida imagem de São Jorge como cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, é parte de uma lenda contada em suas muitas narrativas de sua paixão.

Diz à lenda que um horrível dragão saía de vez em quando de um lago perto de Silena, na Líbia, e se atirava contra os muros da cidade fazendo morrer muita gente com seu hálito mortal, sendo que os exércitos não conseguiam exterminá-los. Então, o povo, para se livrar desse perigo lhe ofereciam jovens vítimas, escolhidas por sorteio. Só que num desses sorteios, à filha do rei foi sorteada para ser oferecida em comida ao monstro. Desesperado, o rei, que nada pôde fazer para evitar isso, acompanhou-a em prantos até às margens do lago. Mas, de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era São Jorge, que marchou com seu cavalo em direção ao dragão e atravessou-o com sua lança. Outra lenda diz que ele amansou o dragão como um cordeiro manso, que o jovem o levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo em nome de Cristo para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.

Continua a narração dizendo que o tribuno e cavaleiro Jorge fez ao povo idólatra da cidade um belo sermão, após o qual o rei e seus súditos se converteram e pediram o batismo. O rei lhe teria oferecida muito dinheiro, mas Jorge teria partido sem nada levar, mandando o rei distribuir o dinheiro aos pobres.

É claro que isso é uma lenda na qual não somos obrigados a acreditar; mas é preciso entender o valor subjetivo das lendas religiosas sobre os santos. O povo as criava e divulgava para enaltecer a grandeza do santo, de maneira parabólica e fantasiosa; mas nela há um fundo de verdade. É um estilo de literatura, fantasiosa sim, mas que não pode ser desprezada de todo.

Muitos artistas e escultores famosos pintaram e esculpiram imagens do Santo: Rafael, Donatelo, Carpaccio, etc.

Segundo a tradição São Jorge foi condenado à morte por ter renegado aos deuses do império, o que muito acontecia com os cristãos. Ele foi torturado, mas parecia que era de ferro, não se queixava. Diz à tradição que diante de sua coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu, e que muitos cristãos, diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o próprio martírio. Por fim, também São Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna e uma espada super afiada pôs fim à sua jovem vida.

Como houve muitos cristãos que morreram mártires nesses tempos da perseguição romana, nada impede que um deles tenha sido o cavaleiro e tribuno militar Jorge.

 

Fonte - Prof. Felipe Aquino - http://cleofas.com.br/sao-jorge-e-santo-mesmo/

 

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"A VIDA DE SANTO ANTÃO"

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 Antão era egípcio, filho de nobres riquíssimos e foi educado cristãmente pelos seus pais. Teve uma educação fechada, vivendo junto a família e muito raramente saia do lar. Não foi para o Colégio, para não ter contato com outros jovens, aprendeu as letras em casa. Todo o seu desejo, manifestado desde que adquiriu a compreensão das coisas, era não sair de casa, viver integralmente dentro do lar. Não era preguiçoso, ao contrário, assumia todos os trabalhos com prazer e alegria, mas insistia em permanecer em casa.

Com a morte dos pais, ficou sozinho com uma irmã mais nova que tinha aproximadamente 18 a 20 anos de idade assumindo a responsabilidade da casa e da irmã. Já há alguns anos frequentava a Igreja com assiduidade e meditava sobre

 o conteúdo do Evangelho de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Inspirado pela palavra Divina, recebeu-a com ternura, como se tivesse sido ditas especialmente para ele. Decidiu distribuir seus bens e a riqueza deixada pelos pais, reservando carinhosamente uma porção necessária a sua irmã. Protegeu a sua irmã colocando-a numa casa conhecida, onde viviam senhoras virgens e fieis. E então, passou a viver sozinho, praticando e cultivando o bem, exercitando pesada disciplina para domar a própria vontade. Encontrando outras pessoas, que também viviam sós e se preocupavam em rezar e fazer o bem, ele extraía sempre o melhor delas e juntava as suas virtudes, melhorando cada vez mais as suas qualidades pessoais. Todo o seu desejo e sua aplicação, eram orientados a prática ascética, Antão era um perfeito devoto contemplativo do SENHOR e da admirável Obra Divina.

O demônio invejoso não suportava ver aquele jovem aprimorar as suas virtudes e exercitá-las em benefício das pessoas, e por isso, tramava e maquinava contra ele, tentando-o de todas as maneiras, afim de enfraquecer a sua vontade. Mas ele resistia heroicamente. À noite, o miserável diabo tomava a forma de uma mulher com o fim de seduzi-lo. Mas não conseguia, e desesperado pelos seus fracassos, satanás se sucumbia diante das constantes orações e da permanente fidelidade do jovem Antão.

Embora jovem e cheio de vida, não tirou pretexto da derrota do demônio, para se negligenciar e cair na presunção. Por isso, cada vez mais castigava o próprio corpo e o reduzia a servidão, exercitando-se nas mais duras austeridades. Com muita frequência, passava noites sem dormir, sempre em vigilância, contra as ciladas do maligno. Comia uma única vez por dia, depois do por do sol e às vezes, tomava o alimento de dois em dois dias. O seu alimento era pão e sal, e a bebida era água pura. Para dormir, contentava-se com uma esteira e às vezes deitava na própria terra nua. Ele dizia que o vigor da alma se fortalece quando os prazeres do corpo se enfraquecem. Fazia o seguinte raciocínio verdadeiramente admirável: “Não se deve medir o caminho da virtude pelo tempo, nem a vida em retiro com vista a alcançar a virtude, mas sim pelo desejo e a resolução (decisão firme).

Ele próprio não recordava o tempo passado, mas dia a dia praticava, como se estivesse iniciando na ascese, e se esforçava sempre para progredir cada vez mais. Em cada dia se portava como se estivesse no começo, dedicando-se para mostrar como se deve comparecer diante de DEUS: “com o coração puro e pronto a obedecer a Sua Vontade, e a nenhuma outra”.

Sem local certo onde morar, Antão foi para os sepulcros que ficavam longe da aldeia, recomendando a um de seus amigos que lhe levasse pão em longos intervalos de tempo. Entrou num túmulo, em forma de uma pequena capela, fechou a porta e lá permaneceu sozinho. Os demônios loucos de ódio, temendo que Antão enchesse o deserto de ascese, certa noite se precipitaram sobre ele e bateram muito nele, deixando-o estendido no chão todo machucado. Por disposição da Providência Divina, no dia seguinte, logo cedo, o amigo foi levar-lhe pão e o encontrou no chão como se estivesse morto. Imaginando que de fato ele tinha morrido, levou-o para a Igreja da aldeia e deitou-o no chão. Os parentes e muitas pessoas conhecidas, foram vê-lo e também pensaram que ele tivesse morrido. Todavia, a meia noite, ele recobrou os sentidos, e vendo que todos dormiam e só o seu amigo estava acordado, fez sinal para que ele se aproximasse e pediu que o levasse novamente de volta ao túmulo, sem despertar ninguém.

Coberto de chagas e enfraquecido pelos maus tratos, foi colocado no chão do túmulo, onde permaneceu, e o amigo se retirou. Sozinho e sem forças para se levantar, deitado começou a rezar as suas orações. Os demônios ficaram loucos e enfurecidos, por que não conseguiam dobrar a fibra daquele homem. Antão percebeu e gritou forte: “Aqui estou, não fujo dos maus tratos. Se me causarem outros, NADA ME SEPARARÁ DO AMOR DE CRISTO” (Rm 8,35).

À noite, os demônios fizeram tal alarido que o local tremeu fortemente. As paredes da pequena habitaçãoestavam quase rompidas, e os demônios metamorfoseados em animais e répteis, encheu o local de espectros de leões, ursos, leopardos, serpentes, víboras, escorpiões, e cada animal se comportando segundo a sua natureza, ameaçadoramente. Gemendo com suas dores Antão permanecia deitado na terra, apreensivo com o acontecimento, mas não se mostrava apavorado e nem revelava medo. Mantinha-se vigilante e falou para os demônios: “Se tivésseis algum poder, bastaria que viesse apenas um de vós para me estraçalhar e acabar comigo. Mas vieram em quantidade! Isso é sinal de fraqueza, principalmente imitando formas de animais. Se não podem fazer nada contra mim por que vos se perturbam em vão? Minha fé no SENHOR é o meu selo de garantia e minha proteção”.Depois de várias tentativas, sem sucesso, os diabos rangeram os dentes e desapareceram.

Naquele mesmo momento, acomodando-se melhor no chão e olhando para o teto da capela, viu que ele se abria e um raio de luz vindo do Céu desceu sobre o seu corpo, como que a consolá-lo. Respirando aliviado pelas dificuldades passadas, sentiu uma imensa paz envolver o seu coração. Sentiu em plenitude a presença de DEUS. Então perguntou: “Onde está SENHOR? Por que não vieste antes para fazer cessar as minhas dores”? Ouviu-se uma voz suave e firme: “EU estava aqui, Antão. Vim para vê-lo combater. Já que perseverastes e resististes, serei sempre o teu socorro e tornar-te-ei célebre em toda parte”. A luz se afastou e o teto da capela voltou ao normal, o dia começava a amanhecer.

Antão estava com 35 anos de idade quando teve esta primeira experiência Divina. Estava reconfortado e sentia uma profunda alegria interior. Fisicamente também sentia o corpo revigorado e fortalecido, as dores desapareceram, estava com mais disposição e destreza, do que antes do combate.

O sol já iluminava a região quando ele saiu em direção à aldeia para se encontrar com um idoso, também eremita, e convidá-lo a rezar no deserto. O idoso agradeceu, mas não aceitou por motivo de doença, e completou dizendo que certamente ele seria um constante empecilho e não um real companheiro para Antão. Desse modo, novamente ele partiu sozinho. Sentiu duas investidas de satanás, mas não deu a menor atenção, caminhava rezando com passadas ligeiras em direção à montanha. Depois de passar um rio, encontrou um castelo fortificado, abandonado e cheio de répteis. Decidiu se estabelecer ali. Os répteis se retiraram apressadamente e ele tapou o local de entrada. Levou consigo pão para seis meses (os tebanos fazem pães que se conservam por um ano). Como dentro do castelo havia um poço de água cristalina, ele não saía para nada e nem via aqueles que por lá passavam. Permaneceu assim, por longo tempo, afastado do mundo, somente recebendo pão, de um amigo, duas vezes por ano, e assim mesmo, por cima do muro, sem vê-lo pessoalmente.

Certo dia, alguns de seus familiares foram até ele, para conversar e ver das suas necessidades, afim de auxiliá-lo, assim como rezar na companhia dele e pedir orações para outros parentes e amigos. Mas ele não lhes permitiu entrar, permaneceram acampados do lado de fora durante dias e noites. E ouviam um barulho estranho como uma tropa de soldados fazendo um grande alarido, esbravejando e gritando com voz lamentosa diziam: “Vai-te de nossa casa! Que vieste fazer aqui no deserto? Você não suportará a nossa conjuração”. Inicialmente os parentes pensaram, que homens descidos até ele por escada, se batessem com ele. Mas olhando pelas frestas e não vendo ninguém, concluíram que era o próprio demônio. Os parentes aterrorizados chamavam por ele. Antão nem se importava com os demônios, e com certa tranquilidade, até se aproximou da porta e disse aos seus parentes que não se preocupassem, que estava tudo bem e que eles voltassem para as suas casas.“Persignai-vos, (ou seja, fazei o sinal da Cruz) e voltem para os seus lares corajosamente, deixai que os demônios se iludam a si mesmos”. Todos fizeram respeitosamente o Sinal da Cruz e voltaram para casa. A fé de Antão lhe dava a certeza de que DEUS estava com ele e que os demônios nada lhe podiam fazer. E de fato, desesperados e com raiva, os demônios partiram.

Viveu assim durante vinte anos, recluso e levando uma vida ascética, não saindo do castelo e não se mostrando a ninguém. Ao longo deste tempo, muitos quiseram imitar a sua ascese e se formou então uma legião de discípulos. E por isso também, estes seus amigos não queriam que ele continuasse a viver sozinho, passando toda a sorte de privações. Foram lá, arrombaram a porta do castelo e assim, encontraram o mestre Antão. Ficaram admirados! Aquilo era um verdadeiro milagre! Antão estava com o mesmo aspecto de vinte anos atrás, e na verdade, segundo a palavra dos seus discípulos, estava mais forte e mais bonito! E somente desse modo, voltou para o meio de seus familiares e amigos. Sempre rezava e mantinha uma conduta discreta e sempre pronta a ajudar. Através dele NOSSO SENHOR curou muitas pessoas com diversos males. E aqueles acontecimentos se espalharam com alegria e júbilo. Muitos quiseram seguir o seu exemplo, ensejando a abertura de Mosteiros em quase todos os locais, nas montanhas e nos desertos.

Certo dia, em companhia de alguns discípulos quis visitar os irmãos que viviam num Mosteiro, do outro lado do lago Merare. O canal estava cheio de crocodilos ferozes. Limitou-se a fazer uma prece e atravessar o canal com os companheiros, sem qualquer dificuldade. Era como um “pai de todos os Mosteiros”.

Os monges tinham o hábito de visitá-lo para ouvir os seus conselhos e orientações. Numa ocasião em que vinte monges quiseram permanecer na companhia dele durante um dia inteiro, num momento apropriado, ele lhes falou: As Sagradas Escrituras são suficientes para nos transmitir os ensinamentos necessários à vida. Mas também é importante que nos exortemos mutuamente na fé, mantendo-nos abertos as conversações e aos diálogos. Vós, meus filhos, trazeis ao vosso pai o que sabeis; eu, mais velho, comunico-vos o que a experiência me ensinou. Que nosso esforço, antes de tudo, seja de não abandonarmos o que começamos, imaginando que nossa ascese já dura muito tempo. Ao contrário, como se estivéssemos começando, aumentemos cada dia o nosso zelo pelas coisas do SENHOR. A vida é muito curta em comparação com os séculos futuro e o nosso tempo não é nada, se comparado com a vida eterna. Todo o combate que lutarmos na Terra, nos dará uma herança não terrestre, mas celeste, e, deposto este nosso corpo, receberemos outro, incorruptível. Portanto, meus filhos, não pensem que fazemos grande coisa. Os sofrimentos do tempo presente não tem proporção com a glória futura que se manifestará em nós. Não devemos permitir que o desejo de possuir invada o nosso coração. Qual a vantagem em adquirir bens que conosco não podemos levar para a eternidade? Assim, devemos buscar apenas as coisas que nos conduzirão a vida eterna: prudência, justiça, temperança, fortaleza, inteligência, caridade, amor aos pobres, mansidão, hospitalidade e a fé em CRISTO. Sendo um servo de CRISTO, devemos saber servi-LO, não oferecendo espaço a pusilanimidade. Um servo não diz: trabalhei ontem, hoje descanso. Não mede o tempo passado para deixar de trabalhar, mas cada dia deve ter o zelo de exercitar dignamente o seu trabalho para agradar o SENHOR, como um bom servo. Nós também, devemos perseverar todos os dias na vida ascética, revelando o equilíbrio de nosso sentimento e a firmeza de nossa fé. Devemos viver como se fossemos morrer, ou seja, com dignidade e honradez, cumprindo nossos deveres e as obrigações, mostrando generosamente a grandeza de nosso amor a DEUS, buscando sempre caminhar na direção do SENHOR.

Tendo pois, começado assim e já seguindo o caminho da virtude, lutemos mais, a fim de chegarmos aos bens futuros. O SENHOR disse: "O Reino dos Céus está dentro de vós" (Lc 72, 21). Assim, a virtude tem apenas necessidade de nossa boa vontade, já que está em nós e se forma em nós.

Temos inimigos terríveis e cheios de recursos que são os demônios; é contra eles a nossa luta de cada dia. Sabemos que os demônios não foram criados por DEUS como demônios, mas Anjos bons da corte celeste, mas decaídos da sabedoria Divina foram precipitados na Terra. Eles invejam os cristãos e movem tudo, para fechar o nosso acesso ao Céu. Por isso, temos necessidade de orações e ascese, para mediante o carisma do discernimento dos espíritos, recebido do ESPÍRITO SANTO, possamos conhecer as suas atuações e especialidades, e saber como podemos vencê-los e rejeitá-los. Desse modo, a experiência de suas tentações deve servir para nos ajudar a nos precaver de suas insídias.

Quando os demônios vêem os cristãos, sejam quais forem, e principalmente se são Monges que trabalham e progridem, os atacam e armam ciladas terríveis, primordialmente os maus pensamentos. E para enfrentar as ciladas do maligno, alcançaremos êxito somente com orações, os jejuns e a fé no SENHOR. Mas vencidos por nossas reações, o demônio não desiste e retorna logo em seguida com astúcia e outras tramóias. Não podendo desviar o coração pelo prazer e pela malicia, se metamorfoseiam, com feições de mulheres, de sacerdotes, de animais, e de serpentes. Para vencermos as tentações e artimanhas demoníacas é necessário permanecermos vigilantes e em orações. Na verdade, o maligno mesmo se julgando forte, eles são fracos e covardes. Mentem sempre, nunca dizem a verdade, eles não conseguem destruir a alma sincera e piedosa, o único efeito que conseguem é assustar com sua presença repugnante e asquerosa.

O demônio e seus asseclas só conseguem atingir e maltratar fisicamente o ser humano, que também é uma invenção Divina, por permissão do próprio DEUS. Sem a permissão Divina, eles só conseguem assustar a humanidade. A permissão Divina acontece para provar e testar a fidelidade do homem ou da mulher. E assim mesmo, ao consentir os maus-tratos de satanás, o SENHOR regula a intensidade dos mesmos, não permitindo que os abusos ultrapassem determinado limite. É o caso, por exemplo do que aconteceu na história de Jó (Jó 1,15-22; 2,7).

Mas ninguém deve se gloriar de expulsar demônios e nem de possuir o dom de curar. Tudo é Obra do SENHOR, é ELE quem expulsa é ELE quem cura. O SENHOR concede dons especiais através do ESPÍRITO SANTO, que o homem ou a mulher exercitam em benefício dos outros, e nunca em benefício próprio. “Não vos alegreis porque os espíritos se submetem a vós; alegrai-vos, antes, porque vossos nomes estão inscritos nos Céus” (Lc 10,20).

Diante dele, obriguem o diabo a se declarar. Não tenham medo e não sucumbam ao terror e o interrogue corajosamente: “Quem és e de onde vens?” Se a visão for de um Santo, ele infundirá tranquilidade ao seu coração, mas se a visão for diabólica, com sua pergunta logo se enfraquecerá vendo a força do seu espírito.

Os jovens ouvindo as palavras de Antão, admirados e alegres sentiram que elas produziam um imediato efeito na alma de cada um. Em uns aumentou o amor à virtude; em outros desapareceu a pusilanimidade; e assim, foram persuadidos a não temerem as ciladas do maligno. Desse modo, nas montanhas havia como que tendas, cheias de um coro de homens divinizados, cantando salmos, estudando, jejuando, orando e exultando na esperança dos bens futuros. Entre eles reinava o amor e a concórdia.

O Imperador Romano Maximino desencadeou uma terrível perseguição contra a Igreja. Os santos 

 

confessores dos Mosteiros e das Igrejas foram obrigados a comparecer diante das autoridades na Alexandria. Eram julgados a revelia e eram presos. Antão, deixando o seu Mosteiro, acompanhou-os, incentivando-os e os encorajando, dizendo: “Combateremos, também nós, se formos chamados, ou contemplaremos aqueles que combatem”. Ele desejava sofrer o martírio. Mas não querendo se entregar a si mesmo, servia os confessores nas minas e nas prisões, para onde eram mandados. Vendo a intrepidez de Antão e de seus companheiros, o Prefeito proibiu a entrada deles no Tribunal. Os confessores, vendo a presença de Antão, ganhavam mais força e vigor, e muitos se esforçavam em imitá-lo. Assim, ele servia aos confessores da fé, como se estivesse preso com eles, e se consumia nesse serviço.

Quando a perseguição cresceu e tornou-se mais violenta, com o martírio do Bispo Pedro, Antão deixou a Alexandria e voltou para o seu Mosteiro e passou a praticar exercícios de ascese muito mais rigorosos. E no Mosteiro permanecia isolado, não conversava e não recebia ninguém. Certo dia, o oficial Martiniano, cuja filha era atormentada pelo demônio, surgiu a porta do Mosteiro, suplicando que fosse atendido por ele. Antão não quis abrir a porta, mas inclinando-se do alto disse-lhe: “Homem, por que gritas por mim? Sou uma pessoa humana como você! Mas, se acredita no CRISTO que eu adoro, vai, ora a DEUS com fé, e as suas súplicas serão ouvidas”. O oficial acreditou e começou a rezar ali mesmo. Quando chegou a casa, sua filha estava curada, purificada e livre do domínio de satanás.

CRISTO disse: “Pedi e vos será dado” (Mt 7,7). O SENHOR fez por meio de Antão, muitas outras obras. A maioria dos que sofriam e vinham ao Mosteiro, ele não abria a porta, eles dormiam do lado de fora, e sempre acreditando nas suas palavras, oravam com ardor e eram purificados.

Vendo que o número de pessoas que o visitava se transformava numa multidão, impedindo-o de viver no seu retiro, conforme o seu ideal, decidiu abandonar o Mosteiro e partir para a alta Tebaida, onde ninguém o conhecia. Ouviu uma voz do alto: : “Para onde vais Antão, e por que?” Ouviu a voz e não se perturbou, pois já estava acostumado a ser assim interpelado, e respondeu: “Não me deixam viver como um eremita; quero ir para a alta Tebaida a fim de evitar as frequentes importunações, tanto mais que me pedem coisas que ultrapassam a minha capacidade”. A voz lhe disse: “Se queres realmente ser eremita, vai para o deserto interior”. Antão respondeu: “Quem me mostrará o caminho? Não o conheço”. A voz lhe indicou uns sarracenos prontos para a viagem. Antão foi encontrá-los e por disposição da Providência Divina, eles permitiram que ele os acompanhasse. Viajaram três dias e três noites e chegou a uma montanha muito alta, o monte Colzum. Ao pé da montanha corria água límpida, suave e fresca. Mais longe se estendia um planalto, onde havia palmeiras selvagens. Ele permaneceu no monte e só se ausentou em 312, por motivo de algumas viagens. Nesse monte ele faleceu no ano 356. Sua permanência em Colzum deu origem ao célebre “Mosteiro de Santo Antão do Mar Vermelho”.

Como por Vontade Divina, Antão gostou do lugar e lá viveu e construiu o seu Mosteiro. Quando os irmãos ficaram sabendo, se apressaram em ajudá-lo, com alimentação e suprir as suas necessidades. Ele não queria mas aceitou para não decepcioná-los, e a seguir, pela própria vontade, procurou cultivar os alimentos, para não dar trabalho aos seus discípulos e amigos.

Os demônios voltaram a perturbá-lo com insistência. Ele tranquilo, tinha confiança no SENHOR, continuava firme com suas orações e ascese. Os demônios fugiam apavorados pelo açoite firme e poderoso de sua fé em DEUS.

Com o passar do tempo tornou-se conhecido na região, e assim, recomeçaram as peregrinações: as pessoas doentes eram levadas a sua presença para serem curadas por DEUS, através de sua eficaz intercessão.

Certa menina de Busíris, na Tripolitânia, sofria de horrível mal, suas lágrimas e a secreção que corria do nariz ao cair na terra, se transformava em vermes. Seus pais ao saberem que alguns Monges estavam de partida para o Mosteiro de Antão, pediram-lhes permissão para acompanhá-los com a filha. O pai e a filha ficaram na casa de Pafnúcio, o Monge Confessor e os Monges entraram na morada de Antão. Quando iam falar da menina, ele se antecipou e explicou o mal dela. Então os Monges pediram-lhe permissão para que o pai e a menina fossem à presença dele. Ele não permitiu, mas disse: “Voltai, se ela não estiver morta, estará totalmente curada. Não tenho o poder de curar para permitir que ela venha a mim. Curar é Obra do Salvador, pois ELE usa de misericórdia para aqueles que o invocam. O SENHOR ouviu a minha oração e mostrou o seu amor à humanidade, curando a menina, enquanto ela lá está”. De fato o milagre tinha se realizado. Os Monges encontraram o pai feliz e exultante de alegria com a cura da filha.

Durante uma viagem de barco, Antão orava na companhia dos Monges, e sentiu um cheiro horrível e penetrante. As pessoas a bordo diziam que o barco transportava peixe e produtos salgados, donde o odor. Mas ele disse que não era, que o odor era diferente e fazia lembrar o enxofre. Enquanto falava, um jovem possesso do demônio, que se mantinha oculto no navio, deu um forte grito. Exorcizado por ele, em nome de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, o demônio saiu, e o homem ficou curado. Todos reconheceram então, que o mau cheiro vinha do rapaz.

Admirável era a sua fé e piedade. Não se relacionava e nem suportava os cismáticos e nem os hereges, a não ser para exortá-los a se converterem à piedade.

Os arianos, hereges terríveis, falsamente espalharam a notícia de que Antão pensava como eles. Indignado com aquelas inverdades, a pedido dos Bispos e de todos os irmãos religiosos, desceu da montanha e veio a Alexandria para condenar os arianos, dizendo que a heresia lançada por eles era precursora do anticristo. Ensinou ao povo que o FILHO DE DEUS não é uma criatura e que não foi tirado do nada, mas que ELE é o VERBO Eterno e a Sabedoria da Substância do PAI. Por isso, é impiedade dizer: “houve tempo em que ELE não existia”, como afirmam os heresiarcas arianos. Na verdade, ELE (o VERBO, o FILHO) sempre está com o PAI.

Enfrentando os pagãos e os heresiarcas, Antão fez uma magnífica apresentação do valor da fé, com palavras claras e com um milagre Divino, por sua preciosa intercessão. Disse aos pagãos: “Vós estais no auge da incredulidade, procurando raciocínios e argumentos para montar os seus discursos. Quanto a nós, não é com a persuasiva linguagem da sabedoria grega que demonstraremos. Persuadimos pela fé, que põem abaixo a armadura dos discursos”.Olhando para o povo que o cercava, sabia que existiam entre eles, pessoas possessas dos demônios. Ele pediu que as trouxessem para o meio deles e disse aos sacerdotes pagãos: “Purificai-as por meio dos vossos raciocínios ou pela arte que quiserdes, ou por magia, invocando os vossos ídolos. Ou, se não podeis, cessai de lutar contra nós e vereis o poder da Cruz de CRISTO”. Ditas estas palavras, invocou a CRISTO e fez três vezes o Sinal da Cruz sobre os doentes. Logo aqueles homens se levantaram ilesos, em plena posse de si mesmos e dando graças a DEUS. Os filósofos e os sacerdotes pagãos ficaram admirados com o milagre verdadeiramente realizado. Antão acrescentou: “Por que vos espantais? Não somos nós quem faz estas coisas. É CRISTO que as faz por meio daqueles que crêem NELE”.Este sinal foi suficiente para mostrar e provar que a fé em CRISTO é a verdadeira religião.

A fama de Antão chegou ao conhecimento dos Imperadores Romanos: de Constantino Augusto, depois a Constâncio Augusto e também de Constante Augusto, que lhe escreveram como se estivessem fazendo contato com um pai, pedindo-lhe que lhes respondesse. Ele não queria nem receber as cartas e nem respondê-las. Chamou os Monges e disse: “Não vos surpreendais que o Imperador nos escreva, ele é um homem; admirai, antes, que o SENHOR DEUS tenha escrito uma Lei para a humanidade e nos tenha falado por Seu próprio FILHO”! Mas os Monges incitaram que ele as recebesse e respondesse, pois sendo cristãos os Imperadores, não seria agradável escandalizá-los com a recusa. Na resposta, ele felicitou-os por adorarem o CRISTO e deu-lhes conselhos para a salvação eterna. Recomendou-lhes também que amassem as pessoas, observassem a justiça e cuidassem dos pobres. Os príncipes receberam com alegria as suas cartas. Assim, ele era querido por todos. Cada um sentia prazer em tê-lo como um pai.

No seu eremitério, onde vivia, em face de sua avançada idade, já fazia 15 anos que dois Monges  permaneciam em sua companhia ajudando-o durante todo o tempo, servindo-o nas necessidades e praticando a ascese. Antão lhes dizia: “Tende sempre o cuidado de vos apegardes primeiramente ao SENHOR, e, depois, aos Santos, a fim de que, após a vossa morte, eles vos recebam nos tabernáculos eternos, como amigos e familiares”.

“Não deixais ninguém levar meu corpo para o Cairo, a fim de colocá-lo num mausoléu. Sepultai-o vós mesmos e ocultai-o na terra, guardando de tal modo minha ordem que ninguém saiba onde é o lugar, somente vós. Na ressurreição dos mortos, receberei do SENHOR esse mesmo corpo, incorruptível. Reparti as minhas vestes. Ao Bispo Atanásio dai um melote (pele de carneiro com lã) e o manto que eu usava; recebi-o dele, novo, de presente. Ao Bispo Serapião dai o outro melote; quanto a vós ficai com a veste de crinas. E agora, meus filhos, Antão parte, ele não está mais convosco”.Tendo dito isto, seus discípulos o abraçaram. Ele estendeu os pés e olhando afavelmente seus companheiros com a face alegre partiu para a eternidade.

Morreu aos 105 anos de idade e suas últimas vontades foram fielmente executadas.

Escreveu Santo Atanásio: "Assim foi a vida de Antão, e na verdade, o que escrevi é bem pouco em comparação com a grandeza de suas virtudes. Lede essas coisas aos outros irmãos para lhes ensinardes como deve ser a vida dos monges e persuadi-los de que NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO glorifica aqueles que O glorificam, e não só conduz ao reino aqueles que O servem até o fim, mas também, por causa de sua virtude e para a utilidade dos outros, manifesta e torna célebres em toda parte aqueles que se ocultam e procuram viver distante da evidência e da publicidade".

 

Fonte - http://apostoladosagradoscoracoes.angelfire.com/vidan.html

 

 

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Festa da Sagrada Família: Jesus, Maria, José!

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O Natal, sob muitos aspectos, é uma festa doméstica. Ela reúne a família, os irmãos distantes e, sobretudo, encanta as crianças com seus pais ao perceberem como estes valorizam, nesta ocasião, a variedade de símbolos. O clima de amor e confraternização pervage a Solenidade do Nascimento do Senhor. Liturgicamente, a Igreja se detém no fato do Filho de Deus ter tido necessidade também de uma família que o acolhesse. Como homem, frágil e pequeno, precisou ser amado por um coração de mãe.

Ele experimentou a dependência na submissão a seus pais. Ele vivenciou a contingência de crescer e aprender no interior de um lar e de uma cultura determinada. Eis o símbolo de Nazaré onde Jesus viveu e cresceu (Lc 2,39-40). O mistério inaudito da Encarnação se entrelaça, desta maneira, com a realidade da família, escola de amor e de fé, de inculturação e de sociabilidade.

Maria, a Virgem Mãe, acolhe na fé o mistério, fruto do seu ventre. São José também acolhe na Fé o mistério, adotando o Menino e recebendo a Mãe. Deste modo, assume a paternidade legal de Jesus, cumprindo com fidelidade sua altíssima e insubstituível missão: José, filho de Daví, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados (Mt 1,20-21).

A oportunidade da festa da Sagrada Família, como decorrência do mistério do Natal que celebramos, nos proporciona apresentá-la como protótipo, exemplo e modelo para todas as famílias cristãs (cf.Familiaris Consortio, Conclusão; Redemptoris Custos, III, 21). Embora constituindo-se também um mistério especial pela natureza do amor e do matrimônio que uniam José e Maria, a presença inestimável do Filho de Deus, e a natureza das relações materno-paternais de Maria e de José para com Ele, esta Família é modelo nas virtudes teologais, a serem cultivadas por todas as famílias cristãs.

O sentido de Deus, do sagrado e do mistério, norteava e unia a Família de Nazaré. Por isso, mesmo tendo vivido uma situação especial e única de um lar construído na castidade perfeita, a serviço da Encarnação, ela é a expressão mais nítida da vivência das virtudes familiares e teologais. Serve, então, de estímulo e de intercessão para todas as famílias que queiram vivenciar os valores evangélicos. A propósito, nos lembra o Papa:

Por misterioso desígnio de Deus, nela viveu o Filho de Deus

escondido por muitos anos: é, pois, protótipo e exemplo de todas

as famílias cristãs. E aquela Família, única no mundo, que passou

uma existência anônima e silenciosa numa pequena localidade da

Palestina;que foi provada pela pobreza, pela perseguição, pelo exílio;

que glorificou a Deus de modo incomparavelmente alto e puro,

não deixará de ajudar as famílias cristãs, ou melhor, todas as famílias

do mundo,na fidelidade aos deveres quotidianos, no suportar as

ânsias e as tribulações da vida, na generosa abertura às

necessidades dos outros, no feliz cumprimento do plano de Deus a

seu respeito (Familiaris Consortio, Conclusão).

Hoje, na medida em que avança a secularização do pensamento e do comportamento, mesmo a família cristã se priva, muitas vezes, da sua dimensão sagrada. Mal se dá conta que o amor de Deus em Cristo a uniu, mediante o Sacramento do Matrimônio, para ser sinal visível e terno de sua presença em todas as expressões da vida conjugal e familiar. Quanto mais difícil se torna a proposta cristã para família contemporânea, mais imperioso se faz anunciá-la como boa e alegre notícia de salvação.

Há um evangelho para a família. Evangelho que supõe uma espiritualidade conjugal e familiar e uma ética própria, baseada na abertura da família aos apelos de Deus, do meio social e cultural e das necessidades de seus membros. O critério supremo da vida conjugal e familiar é o amor ou a caridade como veículo da perfeição (Cl 3,16).

Neste sentido, a família cristã se instaura no mundo e na Igreja como escola de amor a Deus e ao próximo, mediante o respeito aos mandamentos do Senhor, a oração e o diálogo entre as diferenças.

 

 

Fonte - https://formacao.cancaonova.com/diversos/festa-da-sagrada-familia-jesus-maria-jose/

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